domingo, 6 de novembro de 2016

Carta para meu filho

Filho


Eu não sei onde você está agora, o que está fazendo e, principalmente, o que está passando. Mas eu penso em você. Eu oro por você, e peço que venha logo para os meus braços, pra que eu possa te proteger de toda a dor e sofrimento que deve estar vivendo. Pra que eu possa curar suas feridas e te ajudar a conviver com as cicatrizes. Pra que eu possa ser o pai que tanto te falta, que te ame e te ensine tudo o que você precisa para se tornar um adulto feliz e realizado, enquanto eu também aprendo muito com você.


Já posso imaginar como será quando eu finalmente estiver com você: Vou contar histórias antes de você dormir, te cobrir e te dar um beijo de boa noite na testa. Vou te ajudar a arrumar sua mochila para a escola, estar na primeira fila em todas as suas apresentações. Vou sentar no chão e montar legos com você. Quando jogarmos videogame, provavelmente vou deixar que você ganhe algumas vezes (nas outras, eu vou perder mesmo, pois vai ficar melhor que eu). Quando você estiver irritado, vou olhar nos seus olhos e te ajudar a superar. Vou te dizer o que é errado, o que é certo, e te dar o poder de decidir. Vamos viajar, conhecer lugares, aprender muita coisa bacana juntos. E com toda certeza vou sentir muito orgulho quando você demonstrar que sabe mais sobre alguma coisa do que eu. 


Quando você pedir, vou preparar seu prato favorito, e vamos comer até dizer chega. Mas também vou te ensinar a comer verduras, legumes e outras coisas que nem eu, e nem você vamos gostar muito. Se você brigar com alguém, vou tentar te ensinar a ouvir e resolver as coisas de outra maneira, e se ainda estiver bravo, vou dar o espaço que você precisa. Se ficar doente, vou cuidar de você com mais afinco ainda, vou estar lá, ao seu lado, até que você se recupere. 


Vou entender o tempo que vai precisar pra se adaptar à nova vida. Vou ser compreensivo quando quiser me testar, e fazer de tudo para que tenha a certeza de que nunca vou te abandonar. Que confiar no amor que sinto por você é seguro. Vou respeitar o seu passado, e só vamos falar dele quando você quiser. Se for doloroso demais, vamos focar no presente. Você não vai ter mãe, somente um pai, mas eu prometo ser o mais dedicado dos pais, me esforçar cinquenta vezes mais pra  conseguir ser tudo que você precisa, não importa do que eu tenha que abrir mão.


Vamos brincar na chuva, na terra, vamos visitar o zoológico, vamos no clube aquático, vamos jogar no campinho, vamos pedir doces no ano novo, vamos montar o trem de brinquedo e ficar imaginando mil aventuras enquanto ele roda pelos trilhos. Vamos estudar juntos, vamos conversar sobre seus problemas, vamos remediar o que fizer de errado, vamos crescer juntos. E, independente do caminho que você seguir, eu estarei lá, do seu lado, me perguntando se tudo o que fiz foi o suficiente. E, lá no futuro, se você olhar para mim e eu ver a felicidade nos seus olhos, eu vou saber que sim...

Eu sei que é difícil filho, e que você nem imagina, na vida que deve levar agora, que tem alguém aqui, colocando nessas palavras um sentimento que chega a ser sufocante (e por isso precisa desse desabafo), que te ama tanto assim, e está tão disposto a cuidar de você, a te dar tudo que faltou até agora na sua vida. Alguém que quer lhe mostrar o que é ser cuidado, amado e compreendido. Que quer te ensinar o caminho do bem, do amor e da compreensão. E mesmo que você não leia essas palavras, tenho certeza que o meu coração, e minhas orações, de alguma maneira chegarão até você.

Então seja forte, aguente mais um pouco. No tempo certo, eu vou te encontrar. E você nunca mais estará sozinho. Te amo.


 Papai

p.s: Escrevi isso em um dia em que meu único pensamento é você, em que o sentimento tomou tal forma que eu precisei desabafar de algum jeito, colocar pra fora. Esse texto foi a melhor maneira que encontrei. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A Melhor Decisão

Estive no Fórum para a mudança de perfil. A espera por essa reunião foi engraçada, parecia que ela era essencial para minha felicidade, e realmente foi assim, dado o modo como o resto do dia transcorreu.

Logo que cheguei sentei no banco de espera e fiquei lendo. Logo a Zilda (uma das moças que trabaha lá, e também está na fila de espera) veio falar comigo. perguntei do seu processo e disse que estava ali para mudança de perfil. Ela ficou contente, e disse que eu tinha que fazer isso mesmo.

Tornei a me sentar e logo a Ticiane chegou. Cumprimentei-a e ela pediu para eu esperar um pouco. Em seguido a Elisângela chegou também, e logo me chamaram na salinha (que era uma outra sala, adjacente à que eu estava acostumado).

Entrei, cumprimentei-as novamente e logo mandei "Então, por onde começo"?
Nós rimos, e falei da mudança de perfil. Elas perguntaram se seria de 1 a 8, eu disse que poderia colocar 0 a 8, pois a insegurança de lidar com o bebê já havia passado.

Contei então o porquê da mudança. Expliquei a história da Busca Ativa do menino de 10 anos lá na página Escolha de Amar, o dilema que veio me atormentando desde então sobre adoção tardia, meus processos mentais tentando diferenciar o que era desejo, dever e pressa, e tudo o mais, culminando na história da foto na página Adoçando o Coração. Elas ouviram e iam questionando uma coisa ou outra.

Terminando de explicar, questionaram se eu tinha noção de que a aproximação poderia ser mais lenta, pois a criança já tinha uma história maior, e se eu estaria preparado para todas essas fases. Eu disse que não via dificuldades nisso, sabia que esse filho passaria pela regressão, pelos testes, para só depois me estabelecer como pai. Mas que eu estaria ao lado dele  sempre e deixaria claro que ele era meu filho. Elas pareceram gostar da explicação.

A Ticiane então me perguntou se ainda era só menino, ao que eu respondi sim, e perguntou novamente de irmãos, ao que eu dei um titubeada antes de responder que não. Expliquei que minha preocupação era financeira, que eu queria dar o melhor pra esse filho, e teria melhores condições sendo um só. Ela concordou e disse que estou muito certo de ver dessa maneira.

Falamos depois do meu trabalho, daí citei a faculdade e o trabalho de palhaço (no qual em uma das festas eu havia encontrado a Ticiane). Acabei contando que tudo começou no abrigo, pelo convite para a festa do Jhonatan, e que fui algumas vezes lá como palhaço. Ela quis saber se eu tinha contato no abrigo e eu expliquei que não, que até queria voluntariar lá, mas que a Coordenadora achou melhor não, então eu só ia lá como palhaço mesmo.

Nesse momento ela me deu uma notícia excelente: O Jhonatan, a Lorena e a Lorraine (suas irmãs) estavam quase certos para serem adotados por uma família de outra cidade. Fiquei muito feliz por isso, pelos três terem conseguido uma família juntos.

Por fim perguntei do apadrinhamento afetivo, elas explicaram que era um processo próximo ao da adoção. Questionei se eu poderia apadrinhar, pois sempre tivera essa vontade, e elas disseram que sim, eu poderia, mas tem que ser algo bem pensado, por estar na fila, depois meu filho chegar, como ficaria esse apadrinhamento e tudo mais. Comentei que achava melhor fazer isso depois da adoção, e elas concordaram. Acabei citando um adolescente da Casa que gosto muito e elas me disseram que ele foi para o apadrinhamento, o que me deixou muito feliz também.

Por fim nos despedimos, já deixando claro para elas que eu poderia voltar daqui a alguns meses mudar novamente o perfil pois toda essa espera estava sendo um processo (gostoso, por sinal) de amadurecimento de ideias e tudo o mais.

Saí de lá, e o que experimentei no resto da tarde foi sem igual. Uma paz de espírito, um sentimento de alegria tranquila, que eu não experimentava há muito tempo mesmo. Foi como se concretizar essa mudança de perfil fosse a decisão mais acertada de todas, a decisão que ainda me traria muitas felicidades.

p.s: Deixei um agradecimento para a Priscila ( da Escolha de Amar) e para a Rita (da Adoçando o Coração), pois todos esse processo de mudança de perfil teve envolvimento de alguma das duas em algum momento.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Como um Raio - II

Uma reviravolta esperada. Foi isso que aconteceu hoje.

É fato que eu estou em dilema com a adoção, devido aos questionamentos sobre porque não fazer uma adoção tardia. Isso se arrastou por vários meses, mas hoje veio a decisão final.

Há alguns dias, a dona de uma página sobre adoção que acompanho começou a contar sua história. Acabei surpreendido por ser a história de adoção de um menino de 10 anos que uma outra página havia feito busca ativa (e foi meu primeiro questionamento sobre adoção tardia, acabei até mesmo entrando em contato com a página para saber se o menino havia sido encaminhado). Acompanhando a história (emocionante, por sinal) acabei vendo uma postagem do pai do menino, que tinha uma foto com ele. Abri a foto para ver e fui vendo outras fotos... e vi um menino feliz, rindo espontaneamente, e meus olhos se encheram de lágrimas, porque aquele menino que teve uma vida tão sofrida e abandonada (tinha inclusive passado por uma devolução) havia encontrado alguém disposto a lhe dar carinho, atenção e amor... alguém que não se importou com sua idade e com toda a bagagem que trazia.

E isso foi um clique. Muito emocionado, eu procurei alguém para falar sobre isso, e acabei conversando com a Nilva na cozinha. E aquilo se embrenhou na minha mente, de forma que, quando dei por mim, já havia optado definitivamente por alterar meu perfil para até 8 anos (por enquanto, posso expandir depois). Como resultado, liguei para a Ticiane e agendei uma reunião para a mudanã de perfil.

E então percebi a mudança: Até então, a adoção havia sido um ato egoísta. Eu queria adotar para ter um filho. Era um motivo unicamente meu. Agora, eu estou adotando por mim e por alguém, por esse filho que precisa, que já viveu mais e não sabe o que é cuidado e amor. Pela primeira vez, eu realmente senti que pensava tanto nele quanto em mim. E isso me deixou feliz, em paz, e muito tranquilo. Há um sentimento novo, quente e gostoso no fundo do peito, como se meu coração afirmasse que eu fiz a coisa certa.

Agora, só aguardar a reunião.





sábado, 29 de outubro de 2016

Espera

A espera, sempre espera
O que se espera, se revela
Na espera que se espera
um coração que vela
A espera que prospera
Como chama de uma vela
Que se apague e traga ela
logo o fim dessa espera.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Sem grandes emoções

Faz tempo que não posto nada, mesmo porque não há muito o que se dizer... de mais significante, em meu trabalho como palhaço acabei reencontrando as crianças do abrigo, inclusive prestando muita atenção no Vitor (o bebê tranquilo, quem sabe ele não tem irmãos e acabe destituído?) e passo vários dias da semana em crise, pensando em adoção tardia, em estender a mão para uma criança maior que precisa, mas ao mesmo tempo querendo respeitar meu desejo de ter um filho pequeno

Basicamente nenhuma grande ação nesse meio tempo...

domingo, 14 de agosto de 2016

Entrevistado

Nessa semana do dia dos pais, fui contatado por uma repórter do jornal O Globo, que queria uma entrevista comigo para uma reportagem sobre pais em fila de adoção.

Falei quase 20 minutos com ela no telefone, e nesse domingo a reportagem saiu. Sou citado em um parágrafo, mas acho que ela entendeu meio errado algumas coisas que eu disse (como ter o quarto montado), mas foi legal ter essa participação. Segue o link:

http://oglobo.globo.com/sociedade/homens-solteiros-falam-sobre-as-aventuras-alegrias-da-adocao-19917803


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sonhando outra vez

Na noite passada, antes de dormir, como faço quase todas as noites, eu estava orando, pedindo que meu filho estivesse bem. Nessa oração, pedi para Deus que permitisse que eu o encontrasse em sonho, que eu pudesse pelo menos abraçá-lo e dizer que tudo ia ficar bem.

Pois bem, acabei sonhando mesmo. Estava passando em frente à minha casa, mas quem morava ali eram meus pais. No banco da moto do meu pai, um bebê quase recém-nascido estava deitado, em uma faixa de sol. No sonho, ele era meu irmão. Entrei e o peguei, Ele se aninhava nos meus braços, mas tremia de frio.

Entrei em casa e meu pai estava deitado na cama. Eu lembro de ter perguntado algo, e ele meio que disse que tinha deixado o bebê lá para ele se esquentar, e que ia dormir porque estava com sono.

Eu fiquei bom o bebê no colo, e ele ainda tremendo de frio. Decidi colocá-lo no carrinho, que estava na cozinha. Quando fui colocar, ele fez cocô. Resolvi então dar banho nele. Nesse momento, ele já não parecia um recém nascido, mas sim um bebê de alguns meses.

Entrei no banheiro, peguei a banheira dele e o coloquei. Agora ele parecia ter pelo menos um ano, e falou alguma coisa. Eu conversava com ele (não lembro o teor da conversa) e ele começou a andar pelo banheiro (já parecia um pouco maior), até que sentou no meu colo.

Foi nesse momento que acordei.

Diferente do último sonho, onde acordei muito frustrado, esse eu acordei em paz, apesar de que o bebê tremendo de frio ainda não saiu da minha cabeça. Fiz uma oração, agradeci a Deus a oportunidade e voltei a dormir.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pedindo Socorro

Há algum tempo estou tendo problemas com meu perfil de adoção... ao mesmo tempo que quero um pequeno, me sinto no dever de adotar uma maior, pois tem muitos que precisam... como não tenho quase ninguém que entenda a situação, resolvi entrar em contato com a Priscila, da página Escolha de Amar, que adotou um menina de 8 anos. Depois da conversa, me senti melhor, e mais embasado para tomar uma decisão dessas. Segue a conversa:

Boa noite Priscila, tudo bem? Queria perguntar algo e desabafar um pouco...

Você sempre pensou na adoção tardia? Ou pensava em pegar uma criança pequena e depois mudou de ideia?

Eu sempre quis um filho pequeno. Sou solteiro, não tenho intenção de ter um relacionamento mas a vontade de ser pai sempre foi enorme. E eu sempre quis um menino, pequeno. Tanto que estou habilitado para menino de 1 a 4 anos e meio, já há um ano na fila.

Mas ultimamente venho tendo um pouco de crise com isso... ando lendo tanto sobre o assunto, vendo histórias lindas como a de vocês... e fico me perguntando até onde eu posso realmente ficar escolhendo meu filho? Tantas crianças por aí precisando de uma família, e que direito tenho eu de escolher?

Minha ideia original sempre foi adotar o pequeno e, futuramente, fazer uma adoção tardia até 10 anos. Mas eu ando realmente incomodado por ter esse tipo de ideia. Como se eu ficasse me cobrando (algo assim) de que eu deveria estar aberto à adoção tardia desde agora.

Minha equipe técnica sempre frisou que nós temos que respeitar nossos desejos no processo de adoção, e só por isso ainda não consegui criar coragem para ampliar meu perfil para adoção tardia, tenho muito medo de me frustrar, tamanho o desejo de paternidade que eu tenho. Graças a Deus eu já tive a oportunidade de exercer algo muito próximo à paternidade com meus afilhados, que tinham uma família problemática e eu praticamente os eduquei, mas ainda fica aquela vontade de ter o meu filho pequeno.

E ficam essas duas vertentes de pensamento brigando. Eu não me abri para irmãos porque meu financeiro ficaria apertado.

Esse tipo de angústia está me matando. E não tenho ninguém com quem eu possa conversar que compreenda, todos ainda tem aquele preconceito arraigado de que adoção tardia é problema.

Por isso queria saber se com vocês foi assim também, e se foi, como foi o processo de decidir enfim pela adoção tardia.

Desculpe o incômodo e obrigado pela atenção. Abraço! 🙂
Oi Robson
Então...
Meu primeiro perfil foi de 0 a 5 anos...mas depois que comecei a ser voluntária em abrigos, percebi a carência das crianças maiores em ter uma família e o quanto eu era capaz de amar uma criança maior. Foi então que ampliei o meu perfil. Acho que vc não tem que se importar com o que os outros vão dizer...a vida será sua!!! As pessoas vão falar de qualquer jeito e pra decide adotar isso não deve ser importante. Mas acho que sim...seu desejo deve ser respeitado!!! Se seu coração grita por uma criança pequena...mantenha seu perfil...mas se vc acha ser capaz de amar uma criança maior e está disposto a enfrentar as fases da adoção tardia...vá em frente sem pensar duas vezes!!!
A adoção tardia tem suas dificuldades...mas seus encantos superam tudo!!!
O primeiro passeio, primeira ida a praia, a primeira festinha de aniversário, a primeira vez que te chama de pai...Não tem preço!!!
Leia mais sobre o assunto, relatos, veja vídeos de adoções tardias bem sucedidas...e daí decida...posso te dizer que não irá se arrepender!!! 😉
A opinião alheia não me afeta, mesmo porque a adoção só diz respeito a mim e a meu filho... isso impede que eu possa conversar mesmo.

É eu ando lendo muito, e sei que tenho capacidade de amar uma criança de qualquer idade, sou bem babão nisso. Rsrs Vou esperar mais um pouco, ir me sondando internamente. As vezes frequentou o abrigo daqui como palhaço , mas só nas festas de aniversário. Eles não permitem que gente em fila de espera seja voluntário constante dentro da casa, por questoes próprias, e não temos apadrinhamento afetivo por aqui.

Muito obrigado pelos conselhos e pelo relato, já ajudou muito eu poder desabafar sobre isso com alguém! 😉
Boa noite! 😃
Entendi Robson Realmente é difícil desabafar de adoção com as pessoas...a maioria não entende!!! Mas conte comigo sempre!!! Eu sou suspeita falar...fiz adoção tardia e mesmo com todos os testes q passei...amoooo Sou muito realizada e feliz com minha filha
Obs: Tenho receio de palhaços...kkkk
Rsrsrs sou bonzinho
Priscila Deus lhe abençoe por toda essa dedicação com o tema! Vocês com certeza fazem a diferença no mundo!
Amém Robson Obrigada

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Um Ano de Fila


Há exatamente um ano uma caneta corria sobre um papel.
Um gesto singelo, corriqueiro. Um nome sobre um linha.
Naquela caneta, tinta capaz de fazer com que duas vidas estivessem destinadas a se encontrar.
Floreio que trará a maior alegria de minha vida.
Um gesto capaz de realizar sonhos.

Um nome, sobre um linha. 


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sonhando outra vez

Essa madrugada, outro sonho, e dessa vez foi muito forte.

Eu estava em uma espécie de parque em São Paulo, quando um menino passou correndo por mim, de uns 10 anos. Conversei com ele, que me disse ser um menino de rua, que morava ali com outras crianças. Ele me levou até elas, eram umas sete ou oito. Dali, eles resolveram que iam andar no mercado, e eu fui junto. Chegando lá, um bebê e um outro menino menor não poderiam entrar, então peguei os dois nos meus braços. O bebê acabou fazendo xixi (estava sem fralda), e eu sentei com ele em um banco desses de praça.

Ele então virou para mim, disse se chamar Otávio e começou a conversar comigo (fluentemente, como gente grande). Me contou que sua família havia entregue ele para outra família, onde ele era maltratado e até abusado foi, e agora estava ali.

Eu então virei pra ele e disse que não haveria uma mãe, mas se ele quisesse ter um pai, eu gostaria de adotá-lo como meu filho. Ele abriu um sorriso e começou a chorar enquanto confirmava com a cabeça, e eu comecei a chorar também enquanto dávamos um abraço apertado.

Peguei o telefone então para ligar no fórum e saber o que eu deveria saber, mas assim que ia discar, veio o pensamento "caramba, isso é só um sonho". Olhei para o Otávio e ele ainda estava sorrindo e chorando de alegria, e eu comecei a pensar "não posso acordar, não posso acordar"...

E então acordei. Dei um grito de frustração (eram três da manhã), e mal dormi depois. Passei esse dia todo meio abalado, pois o sonho foi muito real e forte. Era como se eu tivesse meu filho em meus braços e o tivesse perdi, foi uma sensação de perda enorme, junto com uma preocupação em saber onde meu filho está, como está, se está sofrendo.

Será que realmente ele veio falar comigo? Sou espírita, e na minha crença esse tipo de coisa pode acontecer... se foi, é maravilhoso ter esse contato, mas a preocupação com as coisas que ele disse fica no pensamento... me deixando preocupado e ainda mais ansioso por resgatá-lo de qualquer situação que seja.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Tirando a dúvida

Liguei no Fórum para saber a situação do Pedro. Ele não está destituído, foi institucionalizado recentemente, a juíza ainda está analisando o caso e a situação dos outros irmãos.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Mais um caso.

Hoje durante uma Orientação Técnica, acabei com a pulga atrás da orelha. Telma, coordenadora de uma escola de Urânia, veio me dizer que tem um menino na escola dela que eu deveria adotar. Conversa vai, conversa vem, ela acabou me dizendo que esse menino tinha outros quatro irmãos, e que um deles, o mais bebê, estava no abrigo. O pai o havia "dado" a um pastor, que depois teve um filho e passou para um outro casal (coisa estranha, mas foi isso que entendi. O juiz, sabendo disso, tirou o bebê do casal e disse que nem com o pai ficaria. Quando questionei, acabei descobrindo que é o Pedro, o bebê independente que eu citei da primeira vez que fui no abrigo. 

A Telma me disse ter certeza que ele estava destituído, e que a família que estava com ele entrou na justiça para pedir a guarda, mas ele não aparece no CNA. Como liguei segunda-feira para fazer uma sugestão, estou esperando até sexta para ligar de novo e falar com as meninas sobre ele, ver a situação dele, pois está dentro do meu perfil (ele tem cerca de dois anos). Acho difícil, pois se ele já tinha essa família, provavelmente o juiz dará a guarda, mesmo se tratando de uma adoção ilegal. Mas a consciência não me deixa em paz, então...


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Pensando Sobre Adoção Especial

Depois de toda a situação do Jhonatam, eu venho trabalhando em mim mesmo a questão da adoção de crianças com necessidades especiais.

E cheguei a conclusão que não, não estou pronto. Me dói pensar assim, mas é uma questão prática. Sou sozinho, vou ser pai solteiro, e me dói pensar que talvez não consiga suprir todas as necessidades dessa criança porque não tenho como dividir o fardo.

E essa falta de confiança me faz pensar que não estou mesmo pronto para esse tipo de adoção...


Outro Alarme Falso

Acabei de receber um alarme, provavelmente falso. Eu já não estava emocionalmente bem por conta de alguns acontecimentos no trabalho, então esse foi muito forte, abalou mesmo.
Recebi a foto no whatsapp de um menino recém-chegado no abrigo (uma amiga estava passando com a filha no médico e o menino estava lá com a cuidadora, por isso ela conseguiu tirar a foto e me mostrar).

Ele está exatamente na idade do meu perfil (pelo que dá pra ver na foto, entre dois e três anos), e é muito, muito fofo. Inicialmente ela me disse que ele estava para adoção, o que fez eu quase ter um mini-enfarto, depois se corrigiu e disse que não, que ele estava na casa só.

Receber alarmes falsos com foto pelo visto é bem pior. Ou foi meu emocional que estava agitado e recebeu mais esse tsunami.

Ele ainda é uma possibilidade, se está no abrigo é uma possível destituição, mas sendo a primeira ida dele pra lá, o processo pode ser muito longo...

domingo, 8 de maio de 2016

Nasce o Xibiu

Depois da minha ida no abrigo, acabei decidindo fazer uma roupa de palhaço e começar a fazer trabalhos voluntários como palhaço onde fosse possível.

Minha querida mãe costurou a roupa, que ficou lindíssima. E logo em seguida já tinha um aniversário no abrigo para ir.

Acabei indo sozinho, porque a Priscila não podia. Minha inexperiência apareceu em alguns momentos, mas acho que dei conta (não foi fácil entreter a todos, me vi com dificuldades em alguns momentos mas fluiu bem).

Estava tendo problemas em determinar um nome, estava ficando com Palhaço Batatinha (sugestão de um aluno meu), mas foi o Jhonatan quem apontou para mim e disse "Xibiu!".

Nada mais puro do que ser batizado por uma criança. Então está batizado o Palhaço Xibiu! :)


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Eu e o Abrigo


Depois de minha experiência como palhaço no abrigo, senti uma necessidade enorme de fazer mais, ajudar como pudesse, então entrei em contato com a Adriana (coordenadora da Casa) e marcamos uma reunião.


Nesse meio tempo, peguei  as rifas da Casa com o Júlio para vender na escola.

Na quarta, encontrei a Adriana lá na Casa. Conversamos muito, foi uma conversa muito rica pois ela compartilhou comigo suas experiências na Casa, as coisas com que lida diariamente... achei muito bacana a conversa... Serviu muito para mim como experiência. Ela também acha que a Equipe Técnica do Fórum não aprovaria eu ser voluntariado lá dentro, então eu me ofereci para ajudas externas, arrecadações, o que precisasse. Não me importo que seja assim, desde que eu ajude de alguma forma.

Por fim ela me convidou para entrar lá... eu disse que não precisava, mas ela insistiu... Caminhamos pela casa (muito, muito organizada mesmo, os espaços ão muito bacanas) e por fim chegamos ao fundo onde foi a festinha de aniversário do Jhonatan. As crianças não haviam me reconhecido, mas a irmãzinha dele e ele me reconheceram (Pa-aço, ele gritava). Depois pegou minha mão e me levou pela casa.

Outras crianças se juntaram a nós, então eu me despedi de todas e da Adriana, e ficamos combinados dela me ligar conforme houverem necessidades.

p.s: Em nossa conversa, ela disse que imaginava que uma criança, sem irmãos, seria destituída nas próximas audiências... mas eu não perguntei idade nem nada, por questão de ética. Agora vou ficar de olho no CNA. Assim que houver uma alteração por lá, eu ligo no Fórum. rsrs

domingo, 10 de abril de 2016

O Luto

Há alguns dias atrás, eu me peguei bastante deprimido... por algum motivo que eu não sabia explicar, mesmo com toda a felicidade de estar na espera da adoção, eu me senti extremamente triste...

Vasculhando os sentimentos, eu via que era pelo meu velho sonho de ter uma família... o sonho de infância, quando eu já me via com esposa e filhos. E isso me corroeu,  me destruiu por vários dias... era uma tristeza por ter perdido isso, não ter tido a possibilidade de ter meus filhos, minha família.

Foram vários dias assim, enfrentando um sentimento muito ruim (pior que casou com meu último alarme falso). Depois de um tempo, passou, simples assim.

E hoje, lendo algumas coisas sobre adoção, dei de cara com um relato de uma mãe em fila de espera que falava do "luto do filho biológico", que seria um momento do processo onde nós, candidatos, sentimos a perda do filho que nunca tivemos. O que ela descrevia como sintoma era exatamente o que eu havia sentido.

Então foi isso, passei pelo eu luto, foi uma fase difícil, mas também de muito aprendizado.
Curiosamente saí dele mais "limpo", leve, mais pronto ainda para meu filho que vem por aí.

sábado, 9 de abril de 2016

Um Dia Especial


Na sexta, recebi um convite inusitado... Fui convidado pelo Júlio para fazer uma animação junto com a Priscila em uma festa de aniversário na Casa Abrigo... Justo de quem? Do Jhonatan.


Entre o susto inicial de mais uma vez ele cruzar meu caminho e o medo de ampliar expectativas, eu quase disse que não... mas pensei bem e resolvi fazer sim.

Minha quinta e sexta-feira não tinham sido muito boas, então acordei no sábado bastante desmotivado (somando a isso um pouco de medo de ter esse contato todo com o Jhonatan). Mas à tarde, depois de vários minutos escolhendo figurinos e testando maquiagem, estava pronto pra ir.

A Priscila me pegou em casa e fomos. Quando cheguei, estava meio acanhado (não tenho prática como palhaço), mas logo me soltei, e daí em diante foi só alegria...

Não dá pra descrever tudo, mas brinquei, me diverti, conheci (e reconheci) algumas as crianças de lá, recebi abraços, muito carinho e muita alegria daquelas crianças e adolescentes...

E o que dizer do Jhonatan? Com todas suas dificuldades, ainda assim é um menino incrivelmente amoroso e carismático. Dele eu ganhei abraço, pedidos de colo, muitos sorrisos inesquecíveis e brincadeiras...

É difícil, eu geralmente escrevo bem e detalhadamente as coisas, mas o que vivi e senti hoje não dá pra descrever... Fui marcado por várias coisas, o menino feliz que dançava bem, o adolescente que não tinha medo de ser criança, o bebê independente com quem brinquei de bexigas, as meninas animadas, o menino que lutou de espadas comigo, a menina que adorava ver eu me assustar no espelho, a outra que sempre queria puxar e colocar meu nariz de palhaço no lugar, a menina da borboleta que queria meu colo, as risadas do pequenos, o carinho do Jhonatan... muitas lembranças, coisas que coloriram minha alma de um jeito muito especial... Dentro de mim ficou um calorzinho especial, um carinho armazenado por todos eles, e uma espécia de reafirmação com a adoção e meu desejo (enorme) de ser pai.

Saí de lá com um gostinho de quero mais... de querer fazer algo mais por todos eles... talvez, quem sabe, eu não tenha alguma ideia.

 Já sobre minhas expectativas, percebo que estão normais... a mudança vem no fato de acabar estando bem mais aberto para uma adoção tardia, e pensando na possibilidade de irmãos, mesmo que financeiramente me aperte um pouco.

sábado, 2 de abril de 2016

Não Crie Expectativas (Como Se Fosse Possível)

Hoje conversei com a pessoa que conhece o Jhonatam. Não vou reproduzir nada aqui sobre a conversa, exceto de que é um menino extremamente carinhoso, com potencial de aprender e melhorar sua condição se tiver os estímulos certos. Também soube que as irmãs dele também trazem alguns problemas.

De tudo que eu ouvi, senti ainda mais que eu queria o Jhonatam como meu filho... Ainda mais achando difícil os três serem adotados juntos, acredito que a separação deles talvez ocorra... e se assim for, talvez ele se torne meu filho.

A verdade é que sinto como se isso tudo já estivesse decidido, como se eu só devesse esperar mais um pouco até que ele venha até mim. E isso me traz uma felicidade latente difícil de descrever.


Não sou ingênuo, sei que toda essa história pode não dar em nada, eles serem adotados por outra família ou mesmo separando o Jhonatam ser adotado por outro que tenha um perfil compatível ao dele, imagino tudo isso também, mas é impossível deixar de sentir as coisas que sinto, as expectativas que crio. Só o tempo trará essas respostas, e eu preciso estar preparado para qualquer uma delas.

Mas, no meu coração, eu sei muito bem o que eu quero ouvir.

terça-feira, 29 de março de 2016

Lá e De Volta Outra Vez

Como combinado, fui ao Fórum fazer a mudança na idade do perfil. Como sempre as meninas estavam super simpáticas, compreendendo minha explicação sobre a mudança do perfil... Além disso perguntaram como eu estava, e aproveitei para tirar algumas dúvidas sobre crianças de outras comarcas...

A Ticiane acabou perguntando sobre eu conhecer o Jhonatam, então contei sobre o acontecido na rua daquela vez e a festinha para as crianças do abrigo.
Elas reforçaram que não havia decisão da juíza de separar os três.

Me despedi, e quando ia sindo, a Ticiane disse:

- Deixa eu perguntar uma coisa, mas sem expectativas, é só uma curiosidade. Se a juíza determinasse a separação dos três, você tem interesse no Jhonatam?

Fui pego tão de surpresa com a pergunta (e as possibilidades que ela criava) que eu meramente balancei a cabeça, dizendo que sim. Ela então perguntou se eu sabia que ele tinha um pouco de atraso no desenvolvimento, inclusive com laudo, e eu disse que sabia um pouco, mas que tinha interesse do mesmo jeito. Perguntei se, ele sendo fora do meu perfil em questão de idade, se não teria problema, mas ela disse que acreditava que não, eu tendo o interesse.

Ao sair, ela tornou a reforçar que era para eu não criar expectativas, que foi só uma dúvida.

O resto do dia passei a matutar... ao mesmo tempo que eu queria, me preocupava a questão do atraso no desenvolvimento... Será que eu daria conta? Será que eu seria tudo que esse menino precisava?

Me senti ao mesmo tempo esperançoso e meio encucado... mas quando parei para analisar o que estava sentindo, percebi que não me incomodava realmente o atraso dele, mas sim a idade (ele já tem cinco anos, até onde sei). Ele sendo mais velho do que eu gostaria, estava com medo de não aproveitar tanto assim a infância dele.

Mas, passado mais algum tempo, isso também deixou de me incomodar, afinal se ele fosse meu filho, seria com qualquer idade e eu o amaria de qualquer jeito.

De noite, resolvi que queria saber um pouco mais sobre ele, e entrei em contato com uma pessoa que o conhece bem. Assim eu poderia me livrar de qualquer insegurança.

Ficamos de nos encontrarmos e conversar... Nesse meio tempo, uma vozinha fica dizendo em minha cabeça que talvez, e apenas talvez, eu já conheça meu filho...

sexta-feira, 18 de março de 2016

Segundo Alarme Falso e Uma Avalanche de Emoções


Essa tem sido uma semana de emoções a flor da pele... Pra relatar tudo vai ser difícil, mas vamos lá...
Segunda-feira, enquanto ia para a escola, comecei a pensar na adoção, no meu filho e tudo o mais... e comecei a imaginar a ligação acontecendo... curiosamente, a imagem que se formou em minha mente foi dessa ligação acontecendo enquanto a PCNP Fernanda falava em uma das duas OTs (orientação técnica) que eu teria na terça e quarta. Enquanto me imaginava recebendo essa ligação, meus olhos se encheram de lágrimas, como acontece às vezes.

Na terça, acordei achando que receberia essa ligação, e passei um dia meio inquieto na OT. Durante a noite, fui até minha mãe para assistirmos Walking Dead... como ela queria ver um trecho específico da novela, acabamos não assistindo, e eu fui navegar na internet.

Por algum motivo, me deu na telha olhar a Consulta Pública do Cadastro Nacional de adoção, em Jales... Eu olho às vezes outras cidades, mas raramente olho Jales porque sei que a equipe aqui já faz os encaminhamentos. E assim me deparei com cinco crianças para adoção, sendo três meninos e duas meninas, com um deles abaixo dos cinco anos. Na hora, pelos cálculos, lembrei do Jhonatam, aquele menino que conheci e se debruçou na minha perna em dezembro, como eu relatei aqui, uma vez que eu havia, naquele evento de fim de ano, descoberto que ele tinha duas irmãs... Eu sabia que o fórum não separa irmãos, então deveria ter sossegado mas... e se não fosse ele? Se fosse algum outro menino, sem irmãos?

No outro dia, logo cedo, liguei no Fórum... quem atendeu foi a Elisangêla, e eu pedi para marcar a reunião de mudança de perfil e já questionei sobre essa criança do cadastro. Ela disse não estar sabendo, mas que conversaríamos na reunião.

Passei o dia todo (novamente na OT) tenso, olhando para o celular, esperando ele tocar, e no fim ela não ligou... A imagem desse post foi uma atividade que deveríamos fazer com barbante, e eu pra variar, estava pensando só na adoção... No fim das contas, toda essa espera e tensão me deixou tao esgotado que à noite fui dormir às 20h30.

No outro dia, já na escola, esperei passar do meio dia para ligar novamente. Mas não conseguia, o telefone do fórum aparentemente com problema... consegui ligar só quando já era quase 17h, da casa da minha mãe. Falei com a Zilda (uma mulher que está na fila de adoção também, mas trabalha lá) e ela me disse que eu encontraria a Ticiane e a Elisângela depois das 09h na sexta.

Com toda a tensão da semana, aguardei então esse horário na sexta, ligando às 09h15. Bem na hora que transferiam minha ligação, meu celular deu algum problema e a ligação caiu. Corri para a secretaria da escola, peguei o telefone e liguei novamente. Enfim consegui falar com a Ticiane. Ela me informou que marcaram minha reunião para o dia 29, às 13h15. Não perdi tempo e já perguntei sobre a criança no cadastro. Ela disse que ele tinha sim menos de cinco anos, mas que possuía duas irmãs.

“É o Jhonatam?”, perguntei no ato, e ela disse que sim, perguntando se eu conhecia ele.. eu respondi que tínhamos uma história, que eu contava depois... Ela então disse que não havia ainda decisão de separar os três irmãos.

Desliguei o telefone e fiquei encucado com aquele “ainda”. Liguei para minha mãe e conversamos um pouco, eu bastante agitado com a história toda.

Coincidentemente, chegaram na escola algumas pessoas da DE, e uma delas (Mariângela), quando eu falei que estava no processo de adoção, me perguntou porque eu não adotava três que estavam lá no abrigo.

“É o Jhonatam?”, perguntei pela segunda vez. Acabei descobrindo que ela conhecia o Jhonatam, que eles dificilmente seriam separados, porque ele e a irmã são muito apegados... ela também contou sobre como eles tem um déficit no desenvolvimento, ainda usando fralda e começando a falar direito agora... Soube que eles são filhos de uma cigana que ficava pedindo esmola na esquina das Casas Americanas aqui em Jales, e dava bebida alcoólica para as crianças para elas dormirem o dia todo.

Depois dessa conversa, fiquei com muita dó dele, mas também prefiro que não seja separado das irmãs... Acabo agora me sentindo aliviado, sabendo que não é minha vez, que eu posso ficar tranquilo...


Há, claro, uma pequena decepção, mas vou dar tempo ao tempo e aguardar, como sempre. E digo mais, esse texto não é capaz de descrever a avalanche de emoções que passei nessa semana.

Que semana... 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ouça a Oração


Tenho pensando muito no meu filho ultimamente, e feito muitas orações, a maioria em forma de música, para ele... essa é uma que eu consegui anotar, uma vez que vem na cabeça, eu canto e logo esqueço... Tem como base No One is Alone, cantada pelo Glee.




Não sei onde está
Se está a sofrer
Mas ouça a oração
Ela é pra você
Do meu coração
Eu lhe estendo a mão
Lágrimas caindo
Uma dor que não vai
Não sei quem lhe falta
Mas vou ser seu pai
Ouça a oração
Pegue minha mão
Oro por você
Esteja onde estiver
Porque aqui espero
O dia em que vier
Eu já sou seu pai
Não chore, não mais
Durma bem tranquilo
O dia vai chegar
Estará aqui comigo
Vou te abraçar
Eu serei teu chão
Cessará a dor
Sinta esse amor

Receba essa oração...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cuidando do Futuro


Hoje estive na agência do Banco do Brasil para abrir um poupança nova. A proposta é depositar cem reais todo mês, para que, quando ele chegar à faculdade, eu possa ter essa reserva para ajudá-lo. Se ele não precisar, vai ficar guardado para quando for começar sua vida de adulto. Saí de lá bem feliz por ter tomado mais essa iniciativa...  é bom sentir que ainda estou me movimentando em prol dele, uma vez que esse período na fila passa a sensação de que não estou fazendo nada para chegar até meu filho.