Como combinado, fui ao Fórum fazer a mudança na idade do perfil. Como sempre as meninas estavam super simpáticas, compreendendo minha explicação sobre a mudança do perfil... Além disso perguntaram como eu estava, e aproveitei para tirar algumas dúvidas sobre crianças de outras comarcas...
A Ticiane acabou perguntando sobre eu conhecer o Jhonatam, então contei sobre o acontecido na rua daquela vez e a festinha para as crianças do abrigo.
Elas reforçaram que não havia decisão da juíza de separar os três.
Me despedi, e quando ia sindo, a Ticiane disse:
- Deixa eu perguntar uma coisa, mas sem expectativas, é só uma curiosidade. Se a juíza determinasse a separação dos três, você tem interesse no Jhonatam?
Fui pego tão de surpresa com a pergunta (e as possibilidades que ela criava) que eu meramente balancei a cabeça, dizendo que sim. Ela então perguntou se eu sabia que ele tinha um pouco de atraso no desenvolvimento, inclusive com laudo, e eu disse que sabia um pouco, mas que tinha interesse do mesmo jeito. Perguntei se, ele sendo fora do meu perfil em questão de idade, se não teria problema, mas ela disse que acreditava que não, eu tendo o interesse.
Ao sair, ela tornou a reforçar que era para eu não criar expectativas, que foi só uma dúvida.
O resto do dia passei a matutar... ao mesmo tempo que eu queria, me preocupava a questão do atraso no desenvolvimento... Será que eu daria conta? Será que eu seria tudo que esse menino precisava?
Me senti ao mesmo tempo esperançoso e meio encucado... mas quando parei para analisar o que estava sentindo, percebi que não me incomodava realmente o atraso dele, mas sim a idade (ele já tem cinco anos, até onde sei). Ele sendo mais velho do que eu gostaria, estava com medo de não aproveitar tanto assim a infância dele.
Mas, passado mais algum tempo, isso também deixou de me incomodar, afinal se ele fosse meu filho, seria com qualquer idade e eu o amaria de qualquer jeito.
De noite, resolvi que queria saber um pouco mais sobre ele, e entrei em contato com uma pessoa que o conhece bem. Assim eu poderia me livrar de qualquer insegurança.
Ficamos de nos encontrarmos e conversar... Nesse meio tempo, uma vozinha fica dizendo em minha cabeça que talvez, e apenas talvez, eu já conheça meu filho...
terça-feira, 29 de março de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
Segundo Alarme Falso e Uma Avalanche de Emoções
Essa tem sido uma semana de emoções a flor da pele... Pra
relatar tudo vai ser difícil, mas vamos lá...
Segunda-feira, enquanto ia para a escola, comecei a pensar
na adoção, no meu filho e tudo o mais... e comecei a imaginar a ligação acontecendo...
curiosamente, a imagem que se formou em minha mente foi dessa ligação
acontecendo enquanto a PCNP Fernanda falava em uma das duas OTs (orientação
técnica) que eu teria na terça e quarta. Enquanto me imaginava recebendo essa
ligação, meus olhos se encheram de lágrimas, como acontece às vezes.
Na terça, acordei achando que receberia essa ligação, e
passei um dia meio inquieto na OT. Durante a noite, fui até minha mãe para
assistirmos Walking Dead... como ela queria ver um trecho específico da novela,
acabamos não assistindo, e eu fui navegar na internet.
Por algum motivo, me deu na telha olhar a Consulta Pública
do Cadastro Nacional de adoção, em Jales... Eu olho às vezes outras cidades,
mas raramente olho Jales porque sei que a equipe aqui já faz os
encaminhamentos. E assim me deparei com cinco crianças para adoção, sendo três
meninos e duas meninas, com um deles abaixo dos cinco anos. Na hora, pelos
cálculos, lembrei do Jhonatam, aquele menino que conheci e se debruçou na minha
perna em dezembro, como eu relatei aqui, uma vez que eu havia, naquele evento
de fim de ano, descoberto que ele tinha duas irmãs... Eu sabia que o fórum não
separa irmãos, então deveria ter sossegado mas... e se não fosse ele? Se fosse
algum outro menino, sem irmãos?
No outro dia, logo cedo, liguei no Fórum... quem atendeu foi
a Elisangêla, e eu pedi para marcar a reunião de mudança de perfil e já
questionei sobre essa criança do cadastro. Ela disse não estar sabendo, mas que
conversaríamos na reunião.
Passei o dia todo (novamente na OT) tenso, olhando para o
celular, esperando ele tocar, e no fim ela não ligou... A imagem desse post foi uma atividade que deveríamos fazer com barbante, e eu pra variar, estava pensando só na adoção... No fim das contas, toda essa espera e tensão me deixou tao esgotado que
à noite fui dormir às 20h30.
No outro dia, já na escola, esperei passar do meio dia para
ligar novamente. Mas não conseguia, o telefone do fórum aparentemente com
problema... consegui ligar só quando já era quase 17h, da casa da minha mãe.
Falei com a Zilda (uma mulher que está na fila de adoção também, mas trabalha
lá) e ela me disse que eu encontraria a Ticiane e a Elisângela depois das 09h
na sexta.
Com toda a tensão da semana, aguardei então esse horário na
sexta, ligando às 09h15. Bem na hora que transferiam minha ligação, meu celular
deu algum problema e a ligação caiu. Corri para a secretaria da escola, peguei
o telefone e liguei novamente. Enfim consegui falar com a Ticiane. Ela me
informou que marcaram minha reunião para o dia 29, às 13h15. Não perdi tempo e
já perguntei sobre a criança no cadastro. Ela disse que ele tinha sim menos de
cinco anos, mas que possuía duas irmãs.
“É o Jhonatam?”, perguntei no ato, e ela disse que sim,
perguntando se eu conhecia ele.. eu respondi que tínhamos uma história, que eu
contava depois... Ela então disse que não havia ainda decisão de separar os
três irmãos.
Desliguei o telefone e fiquei encucado com aquele “ainda”.
Liguei para minha mãe e conversamos um pouco, eu bastante agitado com a
história toda.
Coincidentemente, chegaram na escola algumas pessoas da DE,
e uma delas (Mariângela), quando eu falei que estava no processo de adoção, me
perguntou porque eu não adotava três que estavam lá no abrigo.
“É o Jhonatam?”, perguntei pela segunda vez. Acabei
descobrindo que ela conhecia o Jhonatam, que eles dificilmente seriam
separados, porque ele e a irmã são muito apegados... ela também contou sobre
como eles tem um déficit no desenvolvimento, ainda usando fralda e começando a
falar direito agora... Soube que eles são filhos de uma cigana que ficava
pedindo esmola na esquina das Casas Americanas aqui em Jales, e dava bebida
alcoólica para as crianças para elas dormirem o dia todo.
Depois dessa conversa, fiquei com muita dó dele, mas também
prefiro que não seja separado das irmãs... Acabo agora me sentindo aliviado,
sabendo que não é minha vez, que eu posso ficar tranquilo...
Há, claro, uma pequena decepção, mas vou dar tempo ao tempo
e aguardar, como sempre. E digo mais, esse texto não é capaz de descrever a avalanche de emoções que passei nessa semana.
Que semana...
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