quinta-feira, 21 de abril de 2016

Eu e o Abrigo


Depois de minha experiência como palhaço no abrigo, senti uma necessidade enorme de fazer mais, ajudar como pudesse, então entrei em contato com a Adriana (coordenadora da Casa) e marcamos uma reunião.


Nesse meio tempo, peguei  as rifas da Casa com o Júlio para vender na escola.

Na quarta, encontrei a Adriana lá na Casa. Conversamos muito, foi uma conversa muito rica pois ela compartilhou comigo suas experiências na Casa, as coisas com que lida diariamente... achei muito bacana a conversa... Serviu muito para mim como experiência. Ela também acha que a Equipe Técnica do Fórum não aprovaria eu ser voluntariado lá dentro, então eu me ofereci para ajudas externas, arrecadações, o que precisasse. Não me importo que seja assim, desde que eu ajude de alguma forma.

Por fim ela me convidou para entrar lá... eu disse que não precisava, mas ela insistiu... Caminhamos pela casa (muito, muito organizada mesmo, os espaços ão muito bacanas) e por fim chegamos ao fundo onde foi a festinha de aniversário do Jhonatan. As crianças não haviam me reconhecido, mas a irmãzinha dele e ele me reconheceram (Pa-aço, ele gritava). Depois pegou minha mão e me levou pela casa.

Outras crianças se juntaram a nós, então eu me despedi de todas e da Adriana, e ficamos combinados dela me ligar conforme houverem necessidades.

p.s: Em nossa conversa, ela disse que imaginava que uma criança, sem irmãos, seria destituída nas próximas audiências... mas eu não perguntei idade nem nada, por questão de ética. Agora vou ficar de olho no CNA. Assim que houver uma alteração por lá, eu ligo no Fórum. rsrs

domingo, 10 de abril de 2016

O Luto

Há alguns dias atrás, eu me peguei bastante deprimido... por algum motivo que eu não sabia explicar, mesmo com toda a felicidade de estar na espera da adoção, eu me senti extremamente triste...

Vasculhando os sentimentos, eu via que era pelo meu velho sonho de ter uma família... o sonho de infância, quando eu já me via com esposa e filhos. E isso me corroeu,  me destruiu por vários dias... era uma tristeza por ter perdido isso, não ter tido a possibilidade de ter meus filhos, minha família.

Foram vários dias assim, enfrentando um sentimento muito ruim (pior que casou com meu último alarme falso). Depois de um tempo, passou, simples assim.

E hoje, lendo algumas coisas sobre adoção, dei de cara com um relato de uma mãe em fila de espera que falava do "luto do filho biológico", que seria um momento do processo onde nós, candidatos, sentimos a perda do filho que nunca tivemos. O que ela descrevia como sintoma era exatamente o que eu havia sentido.

Então foi isso, passei pelo eu luto, foi uma fase difícil, mas também de muito aprendizado.
Curiosamente saí dele mais "limpo", leve, mais pronto ainda para meu filho que vem por aí.

sábado, 9 de abril de 2016

Um Dia Especial


Na sexta, recebi um convite inusitado... Fui convidado pelo Júlio para fazer uma animação junto com a Priscila em uma festa de aniversário na Casa Abrigo... Justo de quem? Do Jhonatan.


Entre o susto inicial de mais uma vez ele cruzar meu caminho e o medo de ampliar expectativas, eu quase disse que não... mas pensei bem e resolvi fazer sim.

Minha quinta e sexta-feira não tinham sido muito boas, então acordei no sábado bastante desmotivado (somando a isso um pouco de medo de ter esse contato todo com o Jhonatan). Mas à tarde, depois de vários minutos escolhendo figurinos e testando maquiagem, estava pronto pra ir.

A Priscila me pegou em casa e fomos. Quando cheguei, estava meio acanhado (não tenho prática como palhaço), mas logo me soltei, e daí em diante foi só alegria...

Não dá pra descrever tudo, mas brinquei, me diverti, conheci (e reconheci) algumas as crianças de lá, recebi abraços, muito carinho e muita alegria daquelas crianças e adolescentes...

E o que dizer do Jhonatan? Com todas suas dificuldades, ainda assim é um menino incrivelmente amoroso e carismático. Dele eu ganhei abraço, pedidos de colo, muitos sorrisos inesquecíveis e brincadeiras...

É difícil, eu geralmente escrevo bem e detalhadamente as coisas, mas o que vivi e senti hoje não dá pra descrever... Fui marcado por várias coisas, o menino feliz que dançava bem, o adolescente que não tinha medo de ser criança, o bebê independente com quem brinquei de bexigas, as meninas animadas, o menino que lutou de espadas comigo, a menina que adorava ver eu me assustar no espelho, a outra que sempre queria puxar e colocar meu nariz de palhaço no lugar, a menina da borboleta que queria meu colo, as risadas do pequenos, o carinho do Jhonatan... muitas lembranças, coisas que coloriram minha alma de um jeito muito especial... Dentro de mim ficou um calorzinho especial, um carinho armazenado por todos eles, e uma espécia de reafirmação com a adoção e meu desejo (enorme) de ser pai.

Saí de lá com um gostinho de quero mais... de querer fazer algo mais por todos eles... talvez, quem sabe, eu não tenha alguma ideia.

 Já sobre minhas expectativas, percebo que estão normais... a mudança vem no fato de acabar estando bem mais aberto para uma adoção tardia, e pensando na possibilidade de irmãos, mesmo que financeiramente me aperte um pouco.

sábado, 2 de abril de 2016

Não Crie Expectativas (Como Se Fosse Possível)

Hoje conversei com a pessoa que conhece o Jhonatam. Não vou reproduzir nada aqui sobre a conversa, exceto de que é um menino extremamente carinhoso, com potencial de aprender e melhorar sua condição se tiver os estímulos certos. Também soube que as irmãs dele também trazem alguns problemas.

De tudo que eu ouvi, senti ainda mais que eu queria o Jhonatam como meu filho... Ainda mais achando difícil os três serem adotados juntos, acredito que a separação deles talvez ocorra... e se assim for, talvez ele se torne meu filho.

A verdade é que sinto como se isso tudo já estivesse decidido, como se eu só devesse esperar mais um pouco até que ele venha até mim. E isso me traz uma felicidade latente difícil de descrever.


Não sou ingênuo, sei que toda essa história pode não dar em nada, eles serem adotados por outra família ou mesmo separando o Jhonatam ser adotado por outro que tenha um perfil compatível ao dele, imagino tudo isso também, mas é impossível deixar de sentir as coisas que sinto, as expectativas que crio. Só o tempo trará essas respostas, e eu preciso estar preparado para qualquer uma delas.

Mas, no meu coração, eu sei muito bem o que eu quero ouvir.