segunda-feira, 11 de maio de 2015

Preenchimento do Perfil e Entrevista Com Meus Pais



Combinei com minha mãe que iria de moto, porque provavelmente eu ficaria mais tempo que eles lá. Estava preocupado por que, no domingo à noite, um funcionário da Tresspol (onde meu pai trabalha) faltou e meu pai teve que substituí-lo. Assim, ele estaria trabalhando na hora da entrevista.

A manhã foi chuvosa, só parou mesmo de chover bem na hora de eu ir. Encontrei minha mãe em frente ao Fórum, e ela disse que meu pai viria direto da fábrica (fiquei feliz porque ele realmente estava lembrando e dando importância à entrevista). Ele chegou bem em cima da hora, e nós esperamos e frente à salinha onde o pessoal nos entrevista.
A Elizângela e a Ticiane logo desceram, e chamaram meus pais. Eu fiquei sozinho lá fora, mas não estava tenso ou nervoso, estava de boa. Depois de uns 20 minutos eles saíram, e elas me chamaram. Me despedi deles e entrei.

Não perguntei nada de meus pais à elas, fomos direto ao preenchimento da ficha. Comecei já um tanto confuso, pois eu queria um filho, mas estava aberta à opção de pegar irmãos. Por fim, depois de uma breve conversa com as meninas, optei por filho único mesmo, de 2 a 4 anos, menino de qualquer etnia.

Elas iam perguntando e preenchendo a ficha. Se eu quisesse poderia ser bem restrito no tipo de criança que eu queria, mas eu fui bem aberto com relação à traumas e problemas de saúde tratáveis. Só marquei não em crianças com problemas de saúde permanentes ou graves e com deficiência fisica ou mental (por realismo, afinal, sou sozinho).

Quando terminamos, elas disseram que agora iam enviar o laudo ao promotor e dele para o juiz. Eu me espantei, e perguntei sobre a visita na casa. Elas disseram que era opcional a elas fazer ou não a visita, e que estavam tranquilas quanto à mim, por isso não a fariam agora.

Fiquei muito feliz, porque isso significava o fim das etapas de avaliação antes do juiz. Agora é só esperar a aprovação (ou não, mas isso não vai acontecer ~risos~) do meu cadastro e entrar na fila de espera. Obviamente que perguntei, e elas disseram que o tempo pode variar, uma vez que os processos na Infância e Juventade correm de acordo com prioridade. Pode levar alguns meses, mas fiquei feliz mesmo assim. 

Quando saí de lá, fui para a casa da mãe saber o que ele perguntaram na entrevista. De um modo geral, tanto ela quanto meu pai falaram bem de mim (minha mãe só faltou me pintar de ouro. Mas, segundo ela, só disse a verdade mesmo). Meu pai no começo comentou ser contra a adoção, mas que me apoiava, e no fim da entrevista estava perguntando se demorava muito. 

Agora só esperar a sentença do juiz. :D

quarta-feira, 6 de maio de 2015

3º Dia da Entrevista


No terceiro dia, eu queria falar mais sobre mim, mas elas já iniciaram pedindo que eu fizesse alguns desenhos. Primeiro pediram uma casa, e quando terminei elas pediram que eu falasse da casa. Como tenho costume de desenhar e não penso muito sobre o que desenho, achei um pouco confuso explicar. Perguntaram meu local favorito da minha casa, e o lugar que menos gostava... Elegi o alpendre, onde gosto de sentar para ler às vezes como o lugar preferido, e o fundo onde estendo roupa como o que menos gostava, por ir lá poucas vezes. Depois desenhei uma árvore (e falaram da saúde da árvore) e por fim uma pessoa, que ficou um pouco parecida comigo.

Fizeram então algumas perguntas: Se eu me achava flexível (e, mesmo dizendo que sou muito flexível, quase não consegui achar exemplos de situações onde isso apareceu... mas foi mais pelo nervosismo outra vez); qual minha maior qualidade, onde respondi ser a compreeensão, me colocar no lugar dos outros; e qual meu maior defeito, ao qual respondi sendo minha teimosia em defender as coisas que acredito até o fim.

Elas disseram que tinham tudo... eu perguntei se elas poderiam me dar um retorno, ou algo do tipo, e elas disseram que haverá um momento para isso... mas uma olhou para a outra e comentaram "mas está tranquilo até aqui". Isso me deixou feliz. :D

Marcaram a entrevista dos meus pais para a próxima segunda, ao mesmo tempo que eu vou preencher o questionário. Achei que teria problemas com meu pai nisso, mas falei com ele antes que ele bebesse (fiquei de plantão na casa da mãe até ele chegar) e ele disse que vai, sem reclamar nem colocar nenhum porém... Será que a opinião dele está mudando?

domingo, 3 de maio de 2015

Discutindo com o pai

Meu pai não é realmente a favor da adoção, portanto eu estava preocupado com o que ele diria na entrevista.

Minha mãe estava em São Paulo, e eu resolvi tentar pelo menos adiantar o assunto, então fui até à casa dele, e por várias vezes mandei indiretas sobre ter ido na entrevista, até que ele perguntou (a ponto de ter que dizer que a psicologa elogiou ele como pai por conta das coisas que contei). Falei que era da adoção, e ele começou, naquele tom irritado, a tentar me dissuadir. Começou a falar sobre fulana que adotou e o filho batia nela, de outra fulana que fugia do filho adotivo, enfim, uma história pior que a outra, mas a maioria inventada, eu tinha certeza. Fui firme e mantive meu ponto de vista. Ele estava mais maleável, então por fim falei que provavelmente ele seria entrevistado também. Por fim tentei dizer que ele teria um neto, mas não fez muito efeito.

No sábado, com minha mãe agora em Frutal, eu fui até lá fazer a janta. Depois que eu e ele comemos, sentei na sala. o Dinha estava lá. Em uma cena de novela, um homem chorava, e ele, bêbado, disse: "Aí ó, isso é o que acontece com o pai de um filho adotado". Dessa vez não deu pra ouvir quieto e comecei a recrutar, e ele cada vez mais irritado tentava, com mais invenções e histórias absurdas, provar que adoção era errada, que o filho deveria ser criado por quem gerou, que se foi abandonado é por que não prestava (mesmo sendo bebê), dentre outras coisas horríveis. Eu fiz o possível para não brigar, porque precisava da boa vontade dele quando fosse entrevistado, mas foi difícil. No fim lembro que disse "Então tudo bem, vai ser meu filho mas não vai ser seu neto, beleza". O dinha ficou sem graça e disse que ia embora, e eu, muito irritado, fui também.

Por não poder dizer tudo o que queria, acabei guardando a raiva toda para mim, e me fez mal o resto do fim de semana... Mas não importava. Independente de qualquer problema que eu tenha que passar,  só meu filho importa agora.