domingo, 3 de maio de 2015

Discutindo com o pai

Meu pai não é realmente a favor da adoção, portanto eu estava preocupado com o que ele diria na entrevista.

Minha mãe estava em São Paulo, e eu resolvi tentar pelo menos adiantar o assunto, então fui até à casa dele, e por várias vezes mandei indiretas sobre ter ido na entrevista, até que ele perguntou (a ponto de ter que dizer que a psicologa elogiou ele como pai por conta das coisas que contei). Falei que era da adoção, e ele começou, naquele tom irritado, a tentar me dissuadir. Começou a falar sobre fulana que adotou e o filho batia nela, de outra fulana que fugia do filho adotivo, enfim, uma história pior que a outra, mas a maioria inventada, eu tinha certeza. Fui firme e mantive meu ponto de vista. Ele estava mais maleável, então por fim falei que provavelmente ele seria entrevistado também. Por fim tentei dizer que ele teria um neto, mas não fez muito efeito.

No sábado, com minha mãe agora em Frutal, eu fui até lá fazer a janta. Depois que eu e ele comemos, sentei na sala. o Dinha estava lá. Em uma cena de novela, um homem chorava, e ele, bêbado, disse: "Aí ó, isso é o que acontece com o pai de um filho adotado". Dessa vez não deu pra ouvir quieto e comecei a recrutar, e ele cada vez mais irritado tentava, com mais invenções e histórias absurdas, provar que adoção era errada, que o filho deveria ser criado por quem gerou, que se foi abandonado é por que não prestava (mesmo sendo bebê), dentre outras coisas horríveis. Eu fiz o possível para não brigar, porque precisava da boa vontade dele quando fosse entrevistado, mas foi difícil. No fim lembro que disse "Então tudo bem, vai ser meu filho mas não vai ser seu neto, beleza". O dinha ficou sem graça e disse que ia embora, e eu, muito irritado, fui também.

Por não poder dizer tudo o que queria, acabei guardando a raiva toda para mim, e me fez mal o resto do fim de semana... Mas não importava. Independente de qualquer problema que eu tenha que passar,  só meu filho importa agora.

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