Eu estava em São Paulo, mais precisamente no Brás, viajando com minha mãe. Estava um pouco irritado pois tinha pressa de seguir para Paranapiacaba, e no fim estávamos nos enchendo de sacolas para carregar. Enquanto minha mãe entrava em uma loja, eu fiquei na calçada, encostado em um poste.
Tinha algo errado. Eu deveria estar feliz. Não tinha nada a esconder de ninguém, eu estava bem comigo mesmo, estava curtindo as férias. Mas algo, lá no fundo, me incomodava. Porque, exatamente, eu ainda não estava feliz?
Quando saí de vez do armário (é isso mesmo que você acabou de pensar), pensei que minhas crises de tristeza iriam acabar. Eu me aceitava, e as pessoas ao meu redor também. Eu havia tido alguns namoros (do tipo rápidos, não duravam nem um mês) e tudo deveria estar bem. Ma eu ainda tinha minhas crises de tristeza, ainda achava minha vida insuficiente.
Então ali, encostado naquele poste, naquela manhã quente de janeiro, eu tive uma espécie de insight. Como se alguém tivesse soprado aquilo em minha mente, o sentimento veio tão de repente, e foi tão revelador, que eu soube na hora o que deveria fazer.
É esse o momento. É hora de ter um filho.
Eu sempre quis ser pai. Muito mais do que qualquer outro sonho que eu tivesse, eu queria ter meu filho, ensiná-lo, vê-lo crescer. Eu tive parte disso com o Bruno e o Gabriel, mas agora eu queria alguém que fosse unicamente meu, eu queria ser pai completamente.
Sempre tive planos remotos de adotar um filho. Mas era aquele tipo de ideia que fica guardada na mente com a etiqueta "um dia...". E sim, naquele dia de janeiro, a vontade me desceu como raio, como se vozes invisíveis me dissessem que esse era o momento.
Enfim, aquilo colou em minha mente de tal forma que não falei de outra coisa durante o resto da viagem. Eu precisava tomar providências, tirar algumas dúvidas, afinal, seria possível que eu pudesse adotar sem sair da casa dos meus pais?

Parabens pela iniciativa
ResponderExcluirValeu Baiano! :D
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