quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Um Pequeno Alarme Falso

Hoje de manhã, dia de aplicação do Saresp na escola, e eu super afobado, andando para lá e pra cá para manter os alunos na sala, quando a Nilva me chama na cozinha.

Fui lá, e ela me contou que em Fernandópolis tinha um menininho moreno de olhos azuis, que o sobrinho dela conhecia, cuja mãe era drogada, o pai estava preso e a avó disse que não queria criar, que ia dar embora. Explicou que o menino era super educado, quando alguem lhe oferecia comida, ele dizia que não sabia se podia pegar. Super bonzinho.

Questionei a idade, e ela disse que achava que uns cinco anos. Eu expliquei que estava fora da minha faixa etária, provavelmente eu não poderia pegá-lo, mas que era para ela se informar da idade dele direitinho.

Meia hora depois ela me procurou e explicou que o menino tinha seis anos, mas já estava de alguma forma encaminhado pelos assistentes sociais de lá.

Até aí tudo bem, uma história que pelo visto vai me acontecer muito ainda. O que me impressionou foi o que aconteceu nesses trinta minutos.

Eu saí de um estado de indiferença, para uma espécie de estupefação, meio embabascado (como uma ficha que cai, e eu estava com o Felisbino dando um recado em sala de aula na hora), depois uma espécie de deslumbramento, com a pergunta "será ele?", e por fim muita emoção, do tipo vontade de chorar (quase chorei conversando com a Maria José sobre coisas banais da escola). No meio de tudo isso, uma culpa por ter escolhido uma idade mais baixa e não poder ajudar esse menino. Enfim, é difícil (impossível, na verdade), colocar em palavras, mas eu fiquei muito mexido mesmo, de uma maneira que jamais esperava. 

Isso mostrou que, por mais que eu me faça de forte emocionalmente, quando for a hora de fato, é bem capaz de eu me desmanchar em lágrimas quando ver meu filho pela primeira vez, de ter uma emoção tão forte que não vou poder descrever aqui depois. O baque de hoje foi tão forte que durou o dia todo, fiquei esquisito até agora a noite.


domingo, 8 de novembro de 2015

Meu Pai Outra Vez


Hoje aconteceu algo no mínimo engraçado...


Há dias venho tentando achar um momento propício para contar ao meu pai que sou o primeiro da fila de adoção. Como sei que ele é polêmico, ainda não havia contado.

Pois bem, hoje, já meio alterado por algumas doses de Domus, ele estava questionando minha cunhada e meu irmão sobre os bebês, enquanto eles entravam no carro para irem embora da casa da minha mãe. Minha cunhada só riu, obviamente, pois ela não quer ter filhos. 

Achei que era uma boa oportunidade de entrar no assunto, e enquanto o carro do meu irmão deixava a garagem, eu disse: "Pode desistir pai, da parte deles você não vai ter netos não, a Aline não quer ter filhos". Ao que meu pai, de forma totalmente inesperada, soltou:

- Deixa, nós estamos inscritos no fórum pra ganhar um neguinho mesmo. 

Fiquei boquiaberto, pois ele disse isso de forma casual, como uma ideia plenamente viável e agradável para ele. Aproveitei para contar que era o primeiro da fila, e ele manifestou um pequeno contentamento com isso. rsrs

Contando para minha mãe, ela riu do "nós", dizendo "ele só foi lá uma vez e está achando que a criança é dele". rsrs

Essa súbita frase do meu pai, mesmo dita sobre efeito do álcool, me deixou feliz pelo resto da noite. :D


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A ficha cai mais uma vez


Depois da devolutiva, em especial depois de saber que provavelmente sou o primeiro da fila da minha faixa de perfil, a ficha vem caindo de forma muito legal...

Me peguei pensando, outro dia: "Nossa, sofri desde o início da adolescência por não poder ter filhos e aqui estou eu, prestes a ser pai".


Outras vezes me acomete o pensamento de que a qualquer momento, pode ser amanhã ou daqui a um ano, mas a qualquer momento agora, eu vou ser pai de repente. Isso me provoca muitas sensações boas, uma espécie de calor fraternal gostoso dentro do peito, uma felicidade constante.

E para coroar tudo, sempre que vou ao centro da cidade, passo pela rua 08, e o abrigo fica nesta mesma rua. Nesse sábado, pela primeira vez, vi um grupo de crianças saindo do abrigo, indo a algum lugar com uma cuidadora. E tinha um menino, de uns 3 a 4 anos, muito animadinho. Fiquei imaginando "já pensou se esse fosse o meu?", sendo invadido por um sentimento gostoso de expectativa.

É maravilhoso sentir tudo isso acontecendo. Sinto-me realmente grávido, e passo  muito tempo imaginando nossos momentos juntos, vê-lo crescer, os ensinamentos, tudo. Ao mesmo tempo fico um pouco triste por imaginar que talvez ele esteja, nesse momento, sofrendo, e às vezes rezo e canto muito por ele, peço proteção, paciência e esperança.

Parece que algo redespertou dentro de mim, algo escondido por meses turbulentos na Coordenação, mas que agora retornou com toda a força.

E a ansiedade? Minha nossa, cada dia maior.