quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Prólogo III - Saindo de Casa, Saindo de mim

Seguiu-se então um período nebuloso, mas feliz. Percebi que precisaria apertar, e muito, minhas contas. Eu precisava guardar muito dinheiro para montar uma casa.

Curiosamente, sempre achei um pouco impossível que eu conseguisse montar uma casa, mas assim que percebi que precisava disso para a adoção, passou a ser algo tão fácil que me surpeeendi.

Passei o ano juntando dinheiro. Abri mão de algumas coisas, mas ao mesmo tempo o novo controle financeiro me permitiu, por exemplo, viajar outras duas vezes para São Paulo com minha mãe. Eu estava aprendendo a administrar minhas finanças. Vendi muitas coisas que deixaram de ter importância, como minha coleção de miniaturas e vários livros. Meu foco era outro.

Além disso, passei por outras transformações. Eu queria saúde para poder cuidar de meu filho, e passei a me preocupar mais comigo mesmo. Em um esforço de cerca de oito meses, eu me corrigi minha alimentação e eliminei 19 kg, tudo em nome dessa criança que estaria por vir. Aproveitei para me livrar de alguns hábitos ruins, como roer unhas, por exemplo. Mesmo tendo uma recaída às vezes (em especial por conta de stress), eliminei vários pequenos comportamentos ruins que eu trazia desde a infância.


Com o tempo, minha mãe passou a aceitar a situação como um todo, meu pai parecia feliz com o rumo que eu estava tomando (apesar de não ser muito a favor de adoção) e eu estava muito ansioso, tanto para montar minha casa quanto para, posteriormente, ter meu filho.

E eu sentia, como comentei com o Placídio (um grande amigo), que essa criança existia em algum lugar. Eu parecia sentir que alguém, destinado a ser meu filho, estava por aí, já nascida, só me esperando. Foi uma sensação muito forte, que se estendeu por meses.

Os meses foram passando, e por fim a reforma da casa começou. Confesso que foi um período conturbado. Problemas de comunicação com meu pai (que estava pagando quase toda a reforma), problemas financeiros (pois tive que investir mais do que esperava), uma leve melancolia pelos meus últimos dias com os pais, estresse com a compra dos móveis... Não foi um período fácil, mas foi um período de gratas surpresas.

Meus alunos fizeram um chá de cozinha para mim... minha mãe me acompanhou em boa parte das compras da casa... eu passei a me ver muito mais amadurecido do que antes...

Enfim, dia 16 de janeiro de 2015, o pintor entregou as chaves. A casa estava terminada. Usei o fim de semana para limpar tudo (com a ajuda da mãe e do Bruno) e iniciar a mudança. Na segunda, 19, os móveis que estavam nas lojas chegaram, e eu iniciei a arrumação. O Bruno ficou comigo quase a semana toda, me ajudando todos os dias. Por fim, eu havia me mudado.

Confesso que o início foi difícil. Não me sentia em casa, tinha saudades de meus pais, a casa era estranha... Mas fui entrando nos eixos, me acostumando, transformando-a em um lar.

Pois é, foi um ano incrível. O ano em que, verdadeiramente, o menino de 28 anos se tornou um Homem. Eu amadureci, me valorizei, acreditei em mim e me coloquei à prova.

E eu estava pronto. Pronto para ser pai.


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