quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Um Rápido Alarme Falso

Meu coração acelerou agora.
Estava assistindo um filme (Louca Obsessão, tinha acabado o livro e resolvi rever o filme que assisti tantas vezes na infância), quando chegou um mensagem no Messenger, era a Tamar, minha ex-professora de Português do Cefam, PCNP de Língua Portuguesa e atualmente uma amiga que sabe da adoção e apoia totalmente.
Ela perguntava se eu estava bem. Como não temos o costume de torcar mensagens, despertou em mim que seria alguma coisa relacionada à adoção. Bem nessa hora meu celular trava, então parei o filme e fui para o computador. Enquanto tentava conectar, meu coração batia acelerado, e a pergunta latejava na minha cabeça "será?", "terá ela encontrado alguém que não quer mais o filho", dentre outras.
Pois que acertei. Ela me contou que na Santa Casa de Jales havia nascido um menino e a mãe não o queria, que possivelmente ele iria para o abrigo. Claro que aí meu ânimo esfriou, porque era fora da minha faixa etária. Mas disse que ligaria para a Joana, que quer um bebê. Aproveitei para deixar a Tamar ciente que eu posso pegar caso ela saiba de algum caso dentro da minha faixa etária, e ela terminou dizendo que não se esquece de mim.
Liguei, passei o caso para a Joana (para o Nilton ligar lá caso tenha algum contato) e fiquei aqui, com o coração semidisparado e uma pequena angústia que sempre fica quando esse tipo de coisa acontece. É uma sensação ruim, como quase ganhar na loteria e errar por um número.
Mas por outro lado, serviu para me relembrar, nesses tempos em que me sinto muito sozinho, qual o meu objetivo, o quanto ele vai precisar de mim e qual deve ser meu real foco na vida.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
O Choro

Estava dentro de casa, navegando na internet, quando escutei um choro de criança, daqueles que misturam medo e dor. Uma espécie de instinto se apoderou de mim, pulei rápido da poltrona e saí para ver de onde vinha isso. A única criança que vi foi uma que passou no colo da mãe, um menino de uns três ou quatro anos, mas que conversava, sem sinal de choro.
Fiquei um pouco intrigado e na hora passou pela minha cabeça se não era imaginação... Mas ao mesmo tempo, veio a ideia de que, quem sabe, aquele não foi meu filho chorando, em algum lugar? E sealgum tipo de ligação (aquela que eu já sinto) me fez perceber?
Pode parecer fantasioso, mas quem sabe?
Fiquei um tempinho com o coração apertado, imaginando pelo que ele está passando nesse momento.
sábado, 26 de dezembro de 2015
Mais Um Sonho
E mais uma vez sonhei com algo relacionado à adoção....
Dessa vez, eu estava em casa, me preparando para ir para a escola, quando meu celular tocou. A agenda acusou "Priscila", que seria (no sonho) a Assistente Social. Eu me lembro bem da sensação quando atendi o telefone, minhas mãos esquentaram, meu coração acelerou e me senti extremamente ansioso... quase posso sentir isso ainda. O resto do sonho é meio confuso, me lembro de esperar o dia todo no telefone porque ela estava verificando algumas coisas, alunos aparecendo na minha casa enquanto eu sinalizava que não poderia falar com eles, algo sobre um casal que faria inseminação artificial e me dariam uma das crianças caso viessem gêmeos. O fim do sonho foi eu combinando com essa Priscila de jantarmos, acho que na Picanharia, onde ela me explicaria todos os detalhes do processo.
Depois disso eu acordei. Foi um sonho bem sem sentido, mas a parte de atender o telefone e sentir tudo isso foi quase uma preparação que meu cérebro resolveu fazer para quando esse dia chegar. rs
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Um desenho
Hoje me veio a inspiração para um desenho sobre meu desejo de ser pai... Fiz uma primeira versão de corpo inteiro, depois fiz essa, da qual gostei mais:
É uma situação que acho super carinhosa entre pai e filho, essa de carregar nos ombros.
Pressentimentos
Dias antes de receber o parecer do juiz de que eu estava aprovado como candidato à adoção, eu estava com uma sensação de que algo estava por vir, tanto que todo dia visitava a caixinha de correio porque eu tinha certeza que algo estava para chegar sobre meu processo.
Pois bem, de uns dias para cá, a mesma sensação voltou, como se algo estivesse para acontecer eu eu devesse ficar alerta. Cada toque do celular é um salto, eu não desgrudo dele um segundo sequer... mesmo quando vou nadar, deixo ele no banco próximo a piscina para ouvi-lo caso toque. Ao mesmo tempo, há um sentimento de urgência financeira, uma preocupação com o tanto de dinheiro que eu tenho guardado, como se precisasse logo juntar uma quantia considerável para receber meu filho.
São sensações, uma espécie de pressentimento ou intuição de que está para acontecer... Não sei se é legítimo, claro, ou se é fruto das duas experiências que tive esses dias, mas a coisa toda é forte. Lembro também que, no início do ano eu disse para algumas pessoas que eu tinha a impressão de que meu filho era para este ano.
Então, provavelmente pode ser tudo coisa da minha cabeça, mas essa sensação é realmente gostosa de sentir, é quase instintivo. como se eu já não fosse precisar esperar tanto.
Quem sabe?
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Um Encontro Inusitado
Mais um acontecimento inusitado, do tipo que mexe comigo...
Estava indo para o CPP nadar, quando, passando pela rua oito, vejo o Júlio (que trabalha no abrigo) vindo com duas crianças, uma menina de uns 10 anos e um menininho. Parei a moto para conversar com ele, dizer que as doações de jogos iam dar certo, pois a Priscila tinha conseguido com várias pessoas e tudo o mais.
Assim que parei a moto e apertei a mão do Júlio, o menininho veio na minha direção, e eu apertei a mão dele também. Na hora, ele perguntou, umas duas vezes:
- É seu pai?
Então se aproximou e encostou a cabeça na minha perna, que estava meio dobrada pela moto, como alguém que quer deitar no colo, querendo ficar um tempo ali. Tomado de surpresa, eu afaguei a cabeça dele, e o Júlio explicou que eu era um amigo.
O menino então voltou para a calçada. Eu não aguentei e perguntei a idade dele para o Júlio: 4 anos.
Me despedi do Júlio e fui pra piscina... mas a cena ficou martelando em minha cabeça, principalmente o comportamento do menino. Pior ainda foi quando percebi que talvez a pergunta dele fosse outra, e pela voz infantil eu não tenha entendido direito:
- Esse é o pai?
Por conta do comportamento que ele teve de carinho comigo. Isso ficou martelando tanto na minha cabeça que nem consegui nadar direito;. Passa tanta coisa na cabeça... se poderia ser ele, se isso é um sinal, se eu deveria ir no abrigo visitar as crianças de lá... é mais uma emoção para esses dias de espera... E fica uma sensação de espera, como se fosse aquele realmente meu filho e o Fórum fosse ligar à qualquer momento. É uma situação muito estranha, mas também gostosa...
E agora me resta orar para que esse menino, que parece tão carinhoso, encontre ou retorne para um lar cheio de amor. E eu não reclamaria se esse lar fosse minha casa.
Estava indo para o CPP nadar, quando, passando pela rua oito, vejo o Júlio (que trabalha no abrigo) vindo com duas crianças, uma menina de uns 10 anos e um menininho. Parei a moto para conversar com ele, dizer que as doações de jogos iam dar certo, pois a Priscila tinha conseguido com várias pessoas e tudo o mais.
Assim que parei a moto e apertei a mão do Júlio, o menininho veio na minha direção, e eu apertei a mão dele também. Na hora, ele perguntou, umas duas vezes:
- É seu pai?
Então se aproximou e encostou a cabeça na minha perna, que estava meio dobrada pela moto, como alguém que quer deitar no colo, querendo ficar um tempo ali. Tomado de surpresa, eu afaguei a cabeça dele, e o Júlio explicou que eu era um amigo.
O menino então voltou para a calçada. Eu não aguentei e perguntei a idade dele para o Júlio: 4 anos.
Me despedi do Júlio e fui pra piscina... mas a cena ficou martelando em minha cabeça, principalmente o comportamento do menino. Pior ainda foi quando percebi que talvez a pergunta dele fosse outra, e pela voz infantil eu não tenha entendido direito:
- Esse é o pai?
Por conta do comportamento que ele teve de carinho comigo. Isso ficou martelando tanto na minha cabeça que nem consegui nadar direito;. Passa tanta coisa na cabeça... se poderia ser ele, se isso é um sinal, se eu deveria ir no abrigo visitar as crianças de lá... é mais uma emoção para esses dias de espera... E fica uma sensação de espera, como se fosse aquele realmente meu filho e o Fórum fosse ligar à qualquer momento. É uma situação muito estranha, mas também gostosa...
E agora me resta orar para que esse menino, que parece tão carinhoso, encontre ou retorne para um lar cheio de amor. E eu não reclamaria se esse lar fosse minha casa.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Um Pequeno Alarme Falso
Hoje de manhã, dia de aplicação do Saresp na escola, e eu super afobado, andando para lá e pra cá para manter os alunos na sala, quando a Nilva me chama na cozinha.
Fui lá, e ela me contou que em Fernandópolis tinha um menininho moreno de olhos azuis, que o sobrinho dela conhecia, cuja mãe era drogada, o pai estava preso e a avó disse que não queria criar, que ia dar embora. Explicou que o menino era super educado, quando alguem lhe oferecia comida, ele dizia que não sabia se podia pegar. Super bonzinho.
Questionei a idade, e ela disse que achava que uns cinco anos. Eu expliquei que estava fora da minha faixa etária, provavelmente eu não poderia pegá-lo, mas que era para ela se informar da idade dele direitinho.
Meia hora depois ela me procurou e explicou que o menino tinha seis anos, mas já estava de alguma forma encaminhado pelos assistentes sociais de lá.
Até aí tudo bem, uma história que pelo visto vai me acontecer muito ainda. O que me impressionou foi o que aconteceu nesses trinta minutos.
Eu saí de um estado de indiferença, para uma espécie de estupefação, meio embabascado (como uma ficha que cai, e eu estava com o Felisbino dando um recado em sala de aula na hora), depois uma espécie de deslumbramento, com a pergunta "será ele?", e por fim muita emoção, do tipo vontade de chorar (quase chorei conversando com a Maria José sobre coisas banais da escola). No meio de tudo isso, uma culpa por ter escolhido uma idade mais baixa e não poder ajudar esse menino. Enfim, é difícil (impossível, na verdade), colocar em palavras, mas eu fiquei muito mexido mesmo, de uma maneira que jamais esperava.
Isso mostrou que, por mais que eu me faça de forte emocionalmente, quando for a hora de fato, é bem capaz de eu me desmanchar em lágrimas quando ver meu filho pela primeira vez, de ter uma emoção tão forte que não vou poder descrever aqui depois. O baque de hoje foi tão forte que durou o dia todo, fiquei esquisito até agora a noite.
domingo, 8 de novembro de 2015
Meu Pai Outra Vez

Hoje aconteceu algo no mínimo engraçado...
Há dias venho tentando achar um momento propício para contar ao meu pai que sou o primeiro da fila de adoção. Como sei que ele é polêmico, ainda não havia contado.
Pois bem, hoje, já meio alterado por algumas doses de Domus, ele estava questionando minha cunhada e meu irmão sobre os bebês, enquanto eles entravam no carro para irem embora da casa da minha mãe. Minha cunhada só riu, obviamente, pois ela não quer ter filhos.
Achei que era uma boa oportunidade de entrar no assunto, e enquanto o carro do meu irmão deixava a garagem, eu disse: "Pode desistir pai, da parte deles você não vai ter netos não, a Aline não quer ter filhos". Ao que meu pai, de forma totalmente inesperada, soltou:
- Deixa, nós estamos inscritos no fórum pra ganhar um neguinho mesmo.
Fiquei boquiaberto, pois ele disse isso de forma casual, como uma ideia plenamente viável e agradável para ele. Aproveitei para contar que era o primeiro da fila, e ele manifestou um pequeno contentamento com isso. rsrs
Contando para minha mãe, ela riu do "nós", dizendo "ele só foi lá uma vez e está achando que a criança é dele". rsrs
Essa súbita frase do meu pai, mesmo dita sobre efeito do álcool, me deixou feliz pelo resto da noite. :D
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
A ficha cai mais uma vez
Outras vezes me acomete o pensamento de que a qualquer momento, pode ser amanhã ou daqui a um ano, mas a qualquer momento agora, eu vou ser pai de repente. Isso me provoca muitas sensações boas, uma espécie de calor fraternal gostoso dentro do peito, uma felicidade constante.
E para coroar tudo, sempre que vou ao centro da cidade, passo pela rua 08, e o abrigo fica nesta mesma rua. Nesse sábado, pela primeira vez, vi um grupo de crianças saindo do abrigo, indo a algum lugar com uma cuidadora. E tinha um menino, de uns 3 a 4 anos, muito animadinho. Fiquei imaginando "já pensou se esse fosse o meu?", sendo invadido por um sentimento gostoso de expectativa.
É maravilhoso sentir tudo isso acontecendo. Sinto-me realmente grávido, e passo muito tempo imaginando nossos momentos juntos, vê-lo crescer, os ensinamentos, tudo. Ao mesmo tempo fico um pouco triste por imaginar que talvez ele esteja, nesse momento, sofrendo, e às vezes rezo e canto muito por ele, peço proteção, paciência e esperança.
Parece que algo redespertou dentro de mim, algo escondido por meses turbulentos na Coordenação, mas que agora retornou com toda a força.
E a ansiedade? Minha nossa, cada dia maior.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Devolutiva no Fórum
Como na minha garagem estava o carro dos meus pais e o carro dos instaladores do ar, não conseguiria tirar minha moto, então acabei indo de moto-taxi.
Cheguei, e logo na entrada já encontrei a Ticiane. Ela me disse para aguardar lá na salinha, onde eu sempre conversei com elas, e eu fui. Depois de alguns minutos, ela e a Elisângela desceram, e fomos conversar.
Já entrei observando que a salinha estava diferente, mais colorida, com brinquedos. E começamos a conversar. Falamos sobre um pouco do processo, se eu tinha dúvidas, e tudo o mais. Aproveitei para ampliar o perfil em mais seis meses, ficando agora de 2 a 4 anos e meio.
Uma coisa interessante é que elas perguntaram se eu tinha ido atrás de alguma criança. Eu respondi que não, pela orientação de não fazer isso. Então elas explicaram que eu poderia sim, agora que estou no cadastro, desde que a mãe viesse até o fórum para se destituir da criança, e eu fosse o próximo da ista naquela faixa de perfil que a criança apresentava. Tirei então algumas dúvidas sobre isso, falamos de caso de Vitória Brasil que a Joana tinha dito, dentre outras coisas.
Eu estava muito alegre, o tempo todo, nem um pouco preso ou constrangido, e acabamos rindo bastante durante a conversa.
Agradeci então a confiança que elas colocavam em mim, dizendo que eu sabia como esse processo era difícil para elas. Elas completaram dizendo que não tinham visto nada que me desqualificasse como pai.
No final, perguntei quantos casais tinham na fila atualmente, e elas responderam que cerca de cinco. A Ticiane então citou que tinha quase certeza que, dentro do perfil que eu escolhi, eu era o primeiro, senão, o segundo.
Nossa, como fiquei eufórico, aí sim não parava de rir, de querer gritar de alegria. Finalizamos a conversa. Dei então Feliz Natal para elas, e elas riram. Eu falei "é, a menos que vocês me liguem antes". Saímos todos rindo.
A volta pra casa envolveu dor no meu maxilar, de tanto que eu sustentava o sorriso. Encontrei minha mãe na subida de casa, desci da moto ali mesmo, e já contei as notícias, feliz da vida.
Agora, é só esperar, com essa esperança feliz de que não vai demorar tanto tempo assim. :D
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Ligação do Fórum
Desde que saiu o veredito do juiz, estou ansioso pelo retorno lá no fórum. As meninas haviam dito que me chamariam uma última vez para das as considerações finais sobre o processo e tirar minhas dúvidas.
Desde então tenho olhado incessantemente minha caixinha dos correios, mas nada vinha... rsrs
Até que hoje, enquanto estava conversando com a Maria José (vice-diretora da escola), um número de Jales me ligou. Atendi e a moça disse: "Aqui é do fórum de Jales, aguarde um momento!".
Quase caí das pernas, e comecei a pular na frente da Maria. A Ticiane atendeu então o telefone, e já avisou "Não é uma criança". Eu ri, e respondi que sabia que era para a devolutiva. Marcamos então para a quinta-feira, 29 de outubro, às 09h00. Deu certinho porque seria minha folga na parte da manhã.
Claro que estou ansioso, mesmo sabendo que é só uma conversa final. :D
Desde então tenho olhado incessantemente minha caixinha dos correios, mas nada vinha... rsrs
Até que hoje, enquanto estava conversando com a Maria José (vice-diretora da escola), um número de Jales me ligou. Atendi e a moça disse: "Aqui é do fórum de Jales, aguarde um momento!".
Quase caí das pernas, e comecei a pular na frente da Maria. A Ticiane atendeu então o telefone, e já avisou "Não é uma criança". Eu ri, e respondi que sabia que era para a devolutiva. Marcamos então para a quinta-feira, 29 de outubro, às 09h00. Deu certinho porque seria minha folga na parte da manhã.
Claro que estou ansioso, mesmo sabendo que é só uma conversa final. :D
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
De volta ao Poste
De volta ao poste onde tudo foi desencadeado...
Hoje estive no Brás, em São Paulo, e fiz questão de fotografar o poste onde, enquanto esperava minha mãe, toda a resolução de que a hora havia chegado e eu precisava dar entrada na adoção, aconteceu, há cerca de dois anos atrás...
E aí está o abençoado poste. Nunca vou esquecê-lo. rs
E aí está o abençoado poste. Nunca vou esquecê-lo. rs
Um dia, na primeira vez que formos juntos para São Paulo, levarei meu filho até o Brás, vou mostrar e contar a história desse poste, e a importância que ele teve na vida de nós dois.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Sonhos
Depois da sentença do juiz, estou aguardando ser chamado novamente no fórum, pois as meninas disseram que me chamariam mais uma vez para comentários.
E nesse período de aguardo já sonhei duas vezes com meu filho.
O primeiro sonho foi bem simples, eu estava em casa e chamava pelo meu garoto, assim, bem casualmente. Eu não o vi, mas o nome pelo qual o chamei marcou bem: Kailan (pronuncia-se Kailân).
Posteriormente sonhei com um menino de nove anos, ele era bem carente e estava viajando para as Cataratas do Iguaçu. Eu estava brincando com ele, fazendo festinha e tals, mas ele tinha uma família, também carente, que estava lá. Durante o sonho eu pensava "esse é meu filho, mas por enquanto ele está com a outra família dele".
Foi bem gostoso ter esses sonhos, ajudam a minar um pouco da ansiedade e antecipar a sensação de pai...
E nesse período de aguardo já sonhei duas vezes com meu filho.
O primeiro sonho foi bem simples, eu estava em casa e chamava pelo meu garoto, assim, bem casualmente. Eu não o vi, mas o nome pelo qual o chamei marcou bem: Kailan (pronuncia-se Kailân).
Posteriormente sonhei com um menino de nove anos, ele era bem carente e estava viajando para as Cataratas do Iguaçu. Eu estava brincando com ele, fazendo festinha e tals, mas ele tinha uma família, também carente, que estava lá. Durante o sonho eu pensava "esse é meu filho, mas por enquanto ele está com a outra família dele".
Foi bem gostoso ter esses sonhos, ajudam a minar um pouco da ansiedade e antecipar a sensação de pai...
quarta-feira, 29 de julho de 2015
APROVADOOOO!!!!
Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. Não há maneira de descrever o que estou sentindo. :D
Estava na casa da minha mãe, pois fui fazer uma torta de frango para meu pai (ele estava com vontade). Terminei de jantar e estava assistindo a novela quando meu celular tocou. Era um número desconhecido, e atendi pensando ser algum aluno. De repente, a voz do outro lado diz "... é que eu sou Oficial de Justiça...".
Meu coração disparou, eu SABIA sobre o que era aquela ligação. O oficial de justiça queria saber que horas poderia me encontrar em casa, pois ele tinha ido duas vezes e não me encontrou. Eu disse que tinha voltado a trabalhar (voltei mais cedo das férias porque agora serei Coordenador). Ele disse então que entregaria no outro dia, e combinamos que eu estaria em casa depois das 13h. Desliguei e olhei para minha mãe, muito feliz já sabendo que seria o resultado do meu processo de adoção. Estava lá, já sabendo que não dormiria de tanta ansiedade, quando ele ligou de novo, dizendo que no outro dia estaria em outra cidade, e pedindo o endereço da minha mãe para levar até lá! Eu disse sim na hora!
Nos minutos que demorou para ele chegar, eu sentava na ponta do sofá e olhava o tempo todo para fora, muito ansioso. Quando ele chegou, enquanto pegava o papel eu ficava tentando já ler, até que ele me entregou e, no anexo, estava descrita minha APROVAÇÃO!!! Quase não segurei o grito que surgiu na garganta.
Engraçado que eu parecia sentir que isso estava para acontecer, pois nos últimos dias toda hora tenho passado na caixa de correio na esperança de ver algum aviso sobre o processo... parece premonição. rsrs
Estou na fila de espera, no Cadastro Nacional de Adoção... agora começa a verdadeira espera, mas não me importo, ele virá no tempo certo, porque ele já está destinado a ser meu filho muito antes de nascermos!
Te aguardo meu filho!
domingo, 28 de junho de 2015
Fim da Promessa
Decidi encerrar minha promessa sobre o sorvete. Ia contra o que eu acredito.
Eu acredito que esse filho está destinado a mim. Eu e ele tivemos nossos destinos ligados mesmo antes de nascermos. Temos que viver essa experiência juntos, como pai e filho, nessa reencarnação. Sendo assim, fazer ou não uma promessa não mudará nada. Ele virá, no momento certo, com ou sem promessa.
Eu acredito que esse filho está destinado a mim. Eu e ele tivemos nossos destinos ligados mesmo antes de nascermos. Temos que viver essa experiência juntos, como pai e filho, nessa reencarnação. Sendo assim, fazer ou não uma promessa não mudará nada. Ele virá, no momento certo, com ou sem promessa.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Preenchimento do Perfil e Entrevista Com Meus Pais
Combinei com minha mãe que iria de moto, porque provavelmente eu ficaria mais tempo que eles lá. Estava preocupado por que, no domingo à noite, um funcionário da Tresspol (onde meu pai trabalha) faltou e meu pai teve que substituí-lo. Assim, ele estaria trabalhando na hora da entrevista.
A manhã foi chuvosa, só parou mesmo de chover bem na hora de eu ir. Encontrei minha mãe em frente ao Fórum, e ela disse que meu pai viria direto da fábrica (fiquei feliz porque ele realmente estava lembrando e dando importância à entrevista). Ele chegou bem em cima da hora, e nós esperamos e frente à salinha onde o pessoal nos entrevista.
A Elizângela e a Ticiane logo desceram, e chamaram meus pais. Eu fiquei sozinho lá fora, mas não estava tenso ou nervoso, estava de boa. Depois de uns 20 minutos eles saíram, e elas me chamaram. Me despedi deles e entrei.
Não perguntei nada de meus pais à elas, fomos direto ao preenchimento da ficha. Comecei já um tanto confuso, pois eu queria um filho, mas estava aberta à opção de pegar irmãos. Por fim, depois de uma breve conversa com as meninas, optei por filho único mesmo, de 2 a 4 anos, menino de qualquer etnia.
Elas iam perguntando e preenchendo a ficha. Se eu quisesse poderia ser bem restrito no tipo de criança que eu queria, mas eu fui bem aberto com relação à traumas e problemas de saúde tratáveis. Só marquei não em crianças com problemas de saúde permanentes ou graves e com deficiência fisica ou mental (por realismo, afinal, sou sozinho).
Quando terminamos, elas disseram que agora iam enviar o laudo ao promotor e dele para o juiz. Eu me espantei, e perguntei sobre a visita na casa. Elas disseram que era opcional a elas fazer ou não a visita, e que estavam tranquilas quanto à mim, por isso não a fariam agora.
Fiquei muito feliz, porque isso significava o fim das etapas de avaliação antes do juiz. Agora é só esperar a aprovação (ou não, mas isso não vai acontecer ~risos~) do meu cadastro e entrar na fila de espera. Obviamente que perguntei, e elas disseram que o tempo pode variar, uma vez que os processos na Infância e Juventade correm de acordo com prioridade. Pode levar alguns meses, mas fiquei feliz mesmo assim.
Quando saí de lá, fui para a casa da mãe saber o que ele perguntaram na entrevista. De um modo geral, tanto ela quanto meu pai falaram bem de mim (minha mãe só faltou me pintar de ouro. Mas, segundo ela, só disse a verdade mesmo). Meu pai no começo comentou ser contra a adoção, mas que me apoiava, e no fim da entrevista estava perguntando se demorava muito.
Agora só esperar a sentença do juiz. :D
quarta-feira, 6 de maio de 2015
3º Dia da Entrevista
No terceiro dia, eu queria falar mais sobre mim, mas elas já iniciaram pedindo que eu fizesse alguns desenhos. Primeiro pediram uma casa, e quando terminei elas pediram que eu falasse da casa. Como tenho costume de desenhar e não penso muito sobre o que desenho, achei um pouco confuso explicar. Perguntaram meu local favorito da minha casa, e o lugar que menos gostava... Elegi o alpendre, onde gosto de sentar para ler às vezes como o lugar preferido, e o fundo onde estendo roupa como o que menos gostava, por ir lá poucas vezes. Depois desenhei uma árvore (e falaram da saúde da árvore) e por fim uma pessoa, que ficou um pouco parecida comigo.
Fizeram então algumas perguntas: Se eu me achava flexível (e, mesmo dizendo que sou muito flexível, quase não consegui achar exemplos de situações onde isso apareceu... mas foi mais pelo nervosismo outra vez); qual minha maior qualidade, onde respondi ser a compreeensão, me colocar no lugar dos outros; e qual meu maior defeito, ao qual respondi sendo minha teimosia em defender as coisas que acredito até o fim.
Elas disseram que tinham tudo... eu perguntei se elas poderiam me dar um retorno, ou algo do tipo, e elas disseram que haverá um momento para isso... mas uma olhou para a outra e comentaram "mas está tranquilo até aqui". Isso me deixou feliz. :D
Marcaram a entrevista dos meus pais para a próxima segunda, ao mesmo tempo que eu vou preencher o questionário. Achei que teria problemas com meu pai nisso, mas falei com ele antes que ele bebesse (fiquei de plantão na casa da mãe até ele chegar) e ele disse que vai, sem reclamar nem colocar nenhum porém... Será que a opinião dele está mudando?
domingo, 3 de maio de 2015
Discutindo com o pai
Meu pai não é realmente a favor da adoção, portanto eu estava preocupado com o que ele diria na entrevista.
Minha mãe estava em São Paulo, e eu resolvi tentar pelo menos adiantar o assunto, então fui até à casa dele, e por várias vezes mandei indiretas sobre ter ido na entrevista, até que ele perguntou (a ponto de ter que dizer que a psicologa elogiou ele como pai por conta das coisas que contei). Falei que era da adoção, e ele começou, naquele tom irritado, a tentar me dissuadir. Começou a falar sobre fulana que adotou e o filho batia nela, de outra fulana que fugia do filho adotivo, enfim, uma história pior que a outra, mas a maioria inventada, eu tinha certeza. Fui firme e mantive meu ponto de vista. Ele estava mais maleável, então por fim falei que provavelmente ele seria entrevistado também. Por fim tentei dizer que ele teria um neto, mas não fez muito efeito.
No sábado, com minha mãe agora em Frutal, eu fui até lá fazer a janta. Depois que eu e ele comemos, sentei na sala. o Dinha estava lá. Em uma cena de novela, um homem chorava, e ele, bêbado, disse: "Aí ó, isso é o que acontece com o pai de um filho adotado". Dessa vez não deu pra ouvir quieto e comecei a recrutar, e ele cada vez mais irritado tentava, com mais invenções e histórias absurdas, provar que adoção era errada, que o filho deveria ser criado por quem gerou, que se foi abandonado é por que não prestava (mesmo sendo bebê), dentre outras coisas horríveis. Eu fiz o possível para não brigar, porque precisava da boa vontade dele quando fosse entrevistado, mas foi difícil. No fim lembro que disse "Então tudo bem, vai ser meu filho mas não vai ser seu neto, beleza". O dinha ficou sem graça e disse que ia embora, e eu, muito irritado, fui também.
Por não poder dizer tudo o que queria, acabei guardando a raiva toda para mim, e me fez mal o resto do fim de semana... Mas não importava. Independente de qualquer problema que eu tenha que passar, só meu filho importa agora.
Minha mãe estava em São Paulo, e eu resolvi tentar pelo menos adiantar o assunto, então fui até à casa dele, e por várias vezes mandei indiretas sobre ter ido na entrevista, até que ele perguntou (a ponto de ter que dizer que a psicologa elogiou ele como pai por conta das coisas que contei). Falei que era da adoção, e ele começou, naquele tom irritado, a tentar me dissuadir. Começou a falar sobre fulana que adotou e o filho batia nela, de outra fulana que fugia do filho adotivo, enfim, uma história pior que a outra, mas a maioria inventada, eu tinha certeza. Fui firme e mantive meu ponto de vista. Ele estava mais maleável, então por fim falei que provavelmente ele seria entrevistado também. Por fim tentei dizer que ele teria um neto, mas não fez muito efeito.
No sábado, com minha mãe agora em Frutal, eu fui até lá fazer a janta. Depois que eu e ele comemos, sentei na sala. o Dinha estava lá. Em uma cena de novela, um homem chorava, e ele, bêbado, disse: "Aí ó, isso é o que acontece com o pai de um filho adotado". Dessa vez não deu pra ouvir quieto e comecei a recrutar, e ele cada vez mais irritado tentava, com mais invenções e histórias absurdas, provar que adoção era errada, que o filho deveria ser criado por quem gerou, que se foi abandonado é por que não prestava (mesmo sendo bebê), dentre outras coisas horríveis. Eu fiz o possível para não brigar, porque precisava da boa vontade dele quando fosse entrevistado, mas foi difícil. No fim lembro que disse "Então tudo bem, vai ser meu filho mas não vai ser seu neto, beleza". O dinha ficou sem graça e disse que ia embora, e eu, muito irritado, fui também.
Por não poder dizer tudo o que queria, acabei guardando a raiva toda para mim, e me fez mal o resto do fim de semana... Mas não importava. Independente de qualquer problema que eu tenha que passar, só meu filho importa agora.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
2º Dia da Entrevista
O segundo dia transcorreu muito mais tranquilo que o primeiro. Eu estava bem mais à vontade para falar, e já fui preparado para falar de toda a minha preparação para a adoção. Falamos basicamente disso, e foi bacana notar que a psicóloga e a assistente social pareceram impressionadas com as mudanças que tive para chegar até a adoção.
Elas abordaram novamente o tópico da minha falta de paciência para relacionamentos, dizendo haver um contraste muito grande nisso e em toda minha disponibilidade em ter um filho. Isso gerou toda uma reflexão em mim, que se propagou pelo resto do fim de semana. Perguntaram se haveria algum problema em entrevistar meus pais, já que eu era adotante solteiro e elas precisavam de um segurança, caso acontecesse algo comigo. Eu disse que tudo bem, claro.
Elas abordaram novamente o tópico da minha falta de paciência para relacionamentos, dizendo haver um contraste muito grande nisso e em toda minha disponibilidade em ter um filho. Isso gerou toda uma reflexão em mim, que se propagou pelo resto do fim de semana. Perguntaram se haveria algum problema em entrevistar meus pais, já que eu era adotante solteiro e elas precisavam de um segurança, caso acontecesse algo comigo. Eu disse que tudo bem, claro.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Primeiro dia da Entrevista
Saí da escola mais cedo, passei em casa, almocei e tomei banho. Com achava que ainda estava muito cedo, li um pouco anttes de ir. Eu estava super tranquilo com a entrevista.
Estava, porque ao subir as escadas do fórum, minhas pernas bambearam e eu comecei a ficar meio nervoso... rsrs
O guarda pediu que eu subisse e aguardasse. Era um corredor frio. Esperei alguns minutos lendo (Ordem da Fênix) e por fim a psicóloga e a Assistente Social vieram. Nós tornamos a descer e fomos até o fim do corredor, onde comecei a fazer algumas piadas (eita válvula de escape).
A sala era composta de uma mesa de escritório, com cadeiras em ambos os lados. Elas se sentaram bem de frente a mim, se apresentaram e pediram alguns dados pessoais. Depois disso disseram que era uma conversa, que eu não deveria ficar nervoso e tudo o mais (até parece que eu iria conseguir rs).
Elas pediram que eu falasse de mim, e eu não soube muito bem por onde começar. Quando comecei, falando sobre a vontade de ser pai, elas iam aproveitando os ganchos do que eu dizia para fazer outras perguntas.
Falei de paternidade, infância, mudança de casa, meus pais, meu trabalho, meus afilhados e terminamos falando da minha homossexualidade. Nossa, eu gesticulei demais (até acertei os dedos na mesa, doeu) e engasgava em algumas palavras. Realmente bateu um certo nervosismo.
Curiosamente elas disseram que eu me soltei muito mais depois que falei sobre ser homossexual, apesar de eu realmente não me preocupar em nenhum momento que isso fosse um empecilho.
Acabamos marcando a próxima entrevista (será que posso chamar assim?) para a próxima quarta-feira, 13h30.
Quando saí da sala, vi que elas agoram iam conversar sobre mim.
Enfim, não ouso dizer que fui maravilhoso na entrevista, o nervosismo atrapalhou bastante, e estou até um pouquinho chateado por não conseguir dizer as coisas da maneira que queria. Mas sei que é passageiro, e nos próximos encontros eu vou me soltar mais.
Estava, porque ao subir as escadas do fórum, minhas pernas bambearam e eu comecei a ficar meio nervoso... rsrs
O guarda pediu que eu subisse e aguardasse. Era um corredor frio. Esperei alguns minutos lendo (Ordem da Fênix) e por fim a psicóloga e a Assistente Social vieram. Nós tornamos a descer e fomos até o fim do corredor, onde comecei a fazer algumas piadas (eita válvula de escape).
A sala era composta de uma mesa de escritório, com cadeiras em ambos os lados. Elas se sentaram bem de frente a mim, se apresentaram e pediram alguns dados pessoais. Depois disso disseram que era uma conversa, que eu não deveria ficar nervoso e tudo o mais (até parece que eu iria conseguir rs).
Elas pediram que eu falasse de mim, e eu não soube muito bem por onde começar. Quando comecei, falando sobre a vontade de ser pai, elas iam aproveitando os ganchos do que eu dizia para fazer outras perguntas.
Falei de paternidade, infância, mudança de casa, meus pais, meu trabalho, meus afilhados e terminamos falando da minha homossexualidade. Nossa, eu gesticulei demais (até acertei os dedos na mesa, doeu) e engasgava em algumas palavras. Realmente bateu um certo nervosismo.
Curiosamente elas disseram que eu me soltei muito mais depois que falei sobre ser homossexual, apesar de eu realmente não me preocupar em nenhum momento que isso fosse um empecilho.
Acabamos marcando a próxima entrevista (será que posso chamar assim?) para a próxima quarta-feira, 13h30.
Quando saí da sala, vi que elas agoram iam conversar sobre mim.
Enfim, não ouso dizer que fui maravilhoso na entrevista, o nervosismo atrapalhou bastante, e estou até um pouquinho chateado por não conseguir dizer as coisas da maneira que queria. Mas sei que é passageiro, e nos próximos encontros eu vou me soltar mais.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Primeiro Presente
Hoje a Nilva (grande amiga e pessoa abençoada que trabalha na cozinha da escola) me surpreendeu com um presente para meu futuro filho!
Ela disse que foi na loja comprar um presente para uma outra criança, mas que se apaixonou por esse fusca e queria dá-lo a alguém, então resolveu presentear antecipadamente meu filhote... Fiquei extremamente feliz, achei uma coisa muito legal, e nunca vou me esquecer que foi ela quem deu o primeiro presente do meu filho. :D
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Convocado!
Hoje parecia um dia comum... cheguei do trabalho e passei na mãe para levar o carro deles para trocar o escapamento. Fiz algumas coisas no centro da cidade e esperei um tempão na oficina (com a pressão caindo e voltando, sem saber por quê). Por fim trouxe o carro de volta e desci para minha casa.
Quando cheguei, fui direto ao jardim ver se os girassóis já haviam brotado (sim, haviam, junto com várias outras moitinhas que acredito ser a tal flor Capitão que a mãe deu) e só então fui a caixa de correio, sem esperar por nada. Quando a abri, vi dois folhetos de dentista, e logo por baixo um papel pardo dobrado, escrito "Comparecer Robson Môro". Já desconfiei na hora e abri o papel. Era uma convocação de comparecimento à Equipe Técnica Psicossocial, nessa sexta-feira, às 13h30.
Entrei em casa e dei um grito de felicidade... não esperava essa convocação tão rápido. Na hora liguei para a mãe e contei, muito feliz...
Agora só aguardar a sexta-feira para a possível entrevista com as psicólogas e as assistentes sociais.
Muito, muito empolgado! :D
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Segundo Dia do Curso
Hoje fizemos a última parte do curso. A Equipe do fórum foi maravilhosa mais uma vez, e tudo transcorreu tão rápido que, quando vi, já eram 17 horas...
Começamos falando da experiência anterior e sobre as reflexões que fizemos nesse período. Depois assistimos um vídeo com depoimentos sobre pais que adotaram (a maioria adoções tardias), e foi muito bacana ver a experiência de todos.
Continuamos então o jogo das questões (batata quente), que gerou mais discussões do o primeiro dia. Eu estava bem falante e expus minha opinião em vários assuntos. Muito, mas muito bacana. Só me incomodou alguma falas que mostraram, claramente, uma certa resistência (não sei se dá para chamar de preconceito) ao homossexual.

Em seguida, após o café, elas disponibilizaram uma série de materiais para que "construíssemos" nosso filho vindouro. No início tentei detalhar o meu, mas cheguei a conclusão de que eu não deveria esperar muito, pois essa criança já traria uma história, personalidade e bagagem própria. Então fiz o meu o mais básico possível, querendo dizer que era só aquilo que importava, um menino entre 2 e 4 anos. Nem mesmo rosto coloquei. Depois fiquei olhando para aquele boneco e me veio uma emoção, uma espécie de antecipação, já imaginando meu filho comigo...
Um casal do meu lado simplesmente pegou um novelo de lã, simbolizando que aquela criança já viria pronta, mas eles não saberiam como seria e tals... O que me deixou meio bolado com eles é que eles ficaram reparando no de todo mundo, e durante todo o curso, sempre que alguém falava ou tinha alguma atitude eles ficavam comentando, achando graça e tudo o mais... não gosto muito de gente assim.
Na roda de conversa fui o primeiro a falar, e a Beatriz (psicóloga) me questionou sobre o motivo de eu querer especificamente um menino, principalmente por eu dizer que o nome "Patrick" vem muito à minha mente quando penso no garoto. Expliquei sobre acreditar na necessidade maior da presença da mãe para a menina, e de minha identificação e desejo mesmo de ter um filho. Ela pareceu satisfeita com a resposta.
Após isso ouvimos uma música muito bonita (eu me emocionei um pouco com ela):
Por fim cada um de nós falou um pouco sobre o que tinha mudado depois do curso, e eu expus novamente sobre a tranquilidade que ele me deixou com relação ao processo, e parabenizei a equipe pelas reflexões (que não foram poucas) propostas.
Enfim, o curso foi maravilhoso, não me importaria de ter mais dias de curso. Serviu para muita reflexão, e com toda a certeza reafirmação do meu desejo de ser pai. E mais ainda, saí emocionado e ciente de como adotar, ser pai, é importante para mim, é meu objetivo de vida.
sexta-feira, 27 de março de 2015
Primeiro Dia do Curso
Hoje tive o primeiro dia do Curso para adoção. Já tive uma noite turbulenta, pautada por insônia, por conta da ansiedade mesmo.
As 11h30 saí da escola e vim para casa(apesar de ter que voltar do trevo para abastecer ~risos~). Cheguei, almocei o resto do arroz com pimentão e tomei banho. Escolher a roupa foi difícil, eu estava realmente determinado a causar uma boa impressão. Acabei pegando um jeans com camiseta polo.
Chegando no Núcleo Pedagógico (local do curso), já vi alguns casais esperando. Fui direto par dentro, onde assinei uma lista e peguei um crachá com meu nome. Uma das psicólogas era a mesma com a qual o Bruno teve algumas sessões há alguns anos.
Eu estava muito nervoso. Era o único adotante solteiro ali, os casai me olhavam com um certa curiosidade. Eu sabia que deveria causar uma boa impressão, então estava todo trabalhado na boa postura e comportamento.
Quando a equipe começou a falar (duas psicólogas e duas assistentes sociais), eu relaxei um pouco. Elas deixaram claro que não era uma avaliação, era um encontro de orientação, Depois, durante as atividades, eu me soltei, fiz piadas, porque percebi que eu precisa mostrar quem eu era realmente. Tentei ser dinãmico e expor minha opinião o tempo todo, sem neura. Após 20 minutos do início do curso, eu já estava totalmente relaxado.
Fizemos algumas dinâmicas, onde falamos sobre nossa expectativa com a adoção, o que pensávamos de algumas afirmações (verdadeiras ou não) sobre a adoção e assistimos alguns vídeos e explanações sobre o processo de adoção.
O processo todo foi muito gostoso e enriquecedor. Muito bom ouvir as várias opiniões dos candidatos, as orientações da equipe e meus próprios questionamentos. No fim, compartilhei meu receio de não ser apto e como senti a equipe determinada a nos auxiliar no processo. Saí de lá muito feliz.
E ansioso para o segundo dia de curso. :D
As 11h30 saí da escola e vim para casa(apesar de ter que voltar do trevo para abastecer ~risos~). Cheguei, almocei o resto do arroz com pimentão e tomei banho. Escolher a roupa foi difícil, eu estava realmente determinado a causar uma boa impressão. Acabei pegando um jeans com camiseta polo.
Chegando no Núcleo Pedagógico (local do curso), já vi alguns casais esperando. Fui direto par dentro, onde assinei uma lista e peguei um crachá com meu nome. Uma das psicólogas era a mesma com a qual o Bruno teve algumas sessões há alguns anos.
Eu estava muito nervoso. Era o único adotante solteiro ali, os casai me olhavam com um certa curiosidade. Eu sabia que deveria causar uma boa impressão, então estava todo trabalhado na boa postura e comportamento.
Quando a equipe começou a falar (duas psicólogas e duas assistentes sociais), eu relaxei um pouco. Elas deixaram claro que não era uma avaliação, era um encontro de orientação, Depois, durante as atividades, eu me soltei, fiz piadas, porque percebi que eu precisa mostrar quem eu era realmente. Tentei ser dinãmico e expor minha opinião o tempo todo, sem neura. Após 20 minutos do início do curso, eu já estava totalmente relaxado.
Fizemos algumas dinâmicas, onde falamos sobre nossa expectativa com a adoção, o que pensávamos de algumas afirmações (verdadeiras ou não) sobre a adoção e assistimos alguns vídeos e explanações sobre o processo de adoção.
O processo todo foi muito gostoso e enriquecedor. Muito bom ouvir as várias opiniões dos candidatos, as orientações da equipe e meus próprios questionamentos. No fim, compartilhei meu receio de não ser apto e como senti a equipe determinada a nos auxiliar no processo. Saí de lá muito feliz.
E ansioso para o segundo dia de curso. :D
domingo, 15 de março de 2015
A Promessa
Nesse período de espera, resolvi fazer uma promessa, dessas religiosas.
Prometi que não vou mais tomar sorvete, de qualquer tipo, até que eu consiga a adoção. A partir de 18/03/2015, meu primeiro sorvete será aquele que tomarei com meu filho.
Fiz essa promessa enquanto orava no caminho para a escola, de moto. Depois cantei duas canções firmando-a. Foi bem legal.
Prometi que não vou mais tomar sorvete, de qualquer tipo, até que eu consiga a adoção. A partir de 18/03/2015, meu primeiro sorvete será aquele que tomarei com meu filho.
Fiz essa promessa enquanto orava no caminho para a escola, de moto. Depois cantei duas canções firmando-a. Foi bem legal.
Intimado!
Como ele pegou meu telefone e disse que ligava, fiquei o dia seguinte todo bastante ansioso. Quando cheguei em casa, deitei no sofá e acabei adormecendo por conta do cansaço da viagem. Para minha surpresa, acordei já falando com o Oficial de Justiça no celular (é, atendi dormindo, quem diria ~risos~). Ele perguntou se eu estava em casa, disse que sim e fui lá para o alpendre esperar.
Assim que ele chegou senti uma certa ansiedade, e vi que se tratava da intimação para os dois dias de curso para a Adoção! Fiquei muito feliz e espantado pela velocidade com que vai acontecer.
O curso é dia 27 de março e 10 de abril. Estou ansioso. :D
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Hiato
E com tudo entregue, agora meu celular fica ligado o tempo todo, sem que eu ouse colocar no silencioso.
É claro que a Joana me disse que entre ela entregar os documentos e a primeira ligação foram cinco meses, mas é só meu celular tocar com um número desconhecido que eu corro feito louco de onde estiver para atender...
ai ai ai....
É claro que a Joana me disse que entre ela entregar os documentos e a primeira ligação foram cinco meses, mas é só meu celular tocar com um número desconhecido que eu corro feito louco de onde estiver para atender...
ai ai ai....
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Entrando Com o Processo
Enfim os feriados de Carnaval se vão e eu posso voltar a levantar os documentos necessários. Na sexta-feira eu faltei da escola (era Planejamento, mas eu pretendia pegar um atestado médico) e fui ao PSF me consultar com a médica.
| A foto escolhida para o processo |
Depois de alguma espera (e dores nas costas), eu fui atendido. Expliquei para ela o que queria (o atestado de sanidade física e mental) e, para minha surpresa, ela não queria dar o de sanidade mental, mas sim me encaminhar para um psicóloga! Isso iria demorar meses, então eu disse a ela que o pessoal do fórum havia dito ser um documento simples, dado pelo clínico geral mesmo, porque eu ainda passaria pelo psicólogo da equipe ténica do Juiz... Ela pareceu meio contrariada, mas fez a declaração (ufa...). Como estava um pouco sem graça de ter ido alí só para pegar uma declaração, pedi uma bateria de exames de sangue também, como check up (que, no fim das contas, não vou fazer pois os dias de tirar sangue coincidem com meus dias de aulas, e não quero faltar novamente).
Ela não me deu o atestado para o dia todo, então vou acabar tendo que abonar na escola mesmo.
Saí do PSF e fui ao centro revelar as fotos. Visitei minha mãe, peguei os documentos em casa (é serio, levei dez minutos ponderando sobre a conta de telefone, pois ela estava amassada) e voltei ao centro para os xérox necessários. Peguei as fotos e fui, triunfante ao Fórum!
E fui barrado pelo segurança.
Após gaguejar um pouco tentando explicar o que queria ao segurança, ele me disse que o fórum só abria ao público após o 12h30... Então fui para casa e retornei às 13h.
A moça foi atenciosa como sempre, separando meus documentos conforme a lista pedia, até que pegou a Declaração de Sanidade Física e Mental... Ela olhou e foi para outra sala, eu fiquei tenso pensando que talvez não serviria e tals... mas enfim ela voltou com folhas A4 para colar, porque a Declaração era pequena e não tinha como arquivar no projeto. Ela fez o mesmo com as fotos (após eu explicar minhas dúvidas sobre que cara eu faria na foto, e rirmos disso) e me explicou que agora aquilo tudo se tornaria um processo e em breve o pessoal da equipe técnica do juiz ligaria para mim.
Saí de lá ansioso, e agora estou aqui, de plantão com o celular. Não desligo ele por nada! ~risos~
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
O Dilema da Foto
Dentre os vários documentos solicitados no cadastro, há a exigência de fotos da casa e do pretendente à adoção. Quem diria que isso seria um dilema.
As fotos da casa foram tranquilas, fotografei cada cômodo mais uma foto da frente. Tive problemas na hora de tirar a minha foto... Afinal, que cara faz um pretendente à adoção?
Aproveitei que o Bruno estava em casa e pedi para ele tirar as fotos para mim. Escolhi uma camiseta polo (transmite seriedade, eu acho ~risos~) e comecei a fazer expressões. Não sabia se ficava sério, sorria, entortava o rosto, gargalhava... foram muitas fotos, e por fim terminei com seis aqui que não sei escolher...
Amanhã pedirei opinião para o pessoal da escola... mas tem uma ali, em que eu olho sério com um sorrisinho, que acho que já vou eliminar, pois se parece muito com uma expressão que um psicopata faria... O.O
As fotos da casa foram tranquilas, fotografei cada cômodo mais uma foto da frente. Tive problemas na hora de tirar a minha foto... Afinal, que cara faz um pretendente à adoção?
Aproveitei que o Bruno estava em casa e pedi para ele tirar as fotos para mim. Escolhi uma camiseta polo (transmite seriedade, eu acho ~risos~) e comecei a fazer expressões. Não sabia se ficava sério, sorria, entortava o rosto, gargalhava... foram muitas fotos, e por fim terminei com seis aqui que não sei escolher...
Amanhã pedirei opinião para o pessoal da escola... mas tem uma ali, em que eu olho sério com um sorrisinho, que acho que já vou eliminar, pois se parece muito com uma expressão que um psicopata faria... O.O
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Dando o primeiro passo
Agora, morando sozinho, eu estou pronto para a paternidade.

Planejava começar após o carnaval, mas fui aconselhado pela Joana (que já havia passado por esse processo de inscrição e aguarda agora na fila por seu bebê) a já ir ao Fórum levantar os documentos necessários.
Passei o dia ansioso, por mais simples que fosse isso, porque significava o início de tudo, o primeiro passo, a fecundação de minha gravidez, por assim dizer.
Por fim saí da escola e fui, todo solícito, ao Fórum. A moça foi bem clara e explicou muito bem todo o processo. Inicialmente falava muito em "o Sr. e sua esposa"... por fim acho que caiu a ficha e ela resolver perguntar. Não houve absolutamente nenhum tipo de reação quando disse que era uma adoção por pai solteiro. Achei isso muito bom.
Peguei a lista e os formulários e fui para casa. Dentre vários, eu necessitava de um Atestado de Sanidade Física e Mental... liguei para a Joana, que disse ter feito o seu no postinho de Vitória Brasil. Desliguei o telefone e desci no PSF do bairro e fiz meu cadastro, para poder tirar uma guia e passar pelo médico.
Hoje, fui à Justiça Federal e peguei meu atestado de antecedentes criminais. Aproveitei e fiz a segunda via de minha Certidão de Nascimento, pois na lista de documentos pedia uma versão recente.
No fim a lista de documentos está me saindo mais simples do que parecia. Só me falta preencher os formulários, tirar os xerox dos documentos pessoais e pegar o Atestado de Sanidade Física e Mental (que alguns alunos insistiram que vai dar algum tipo de loucura ~risos~) semana que vem.
Prólogo III - Saindo de Casa, Saindo de mim
Seguiu-se então um período nebuloso, mas feliz. Percebi que precisaria apertar, e muito, minhas contas. Eu precisava guardar muito dinheiro para montar uma casa.
Curiosamente, sempre achei um pouco impossível que eu conseguisse montar uma casa, mas assim que percebi que precisava disso para a adoção, passou a ser algo tão fácil que me surpeeendi.
Passei o ano juntando dinheiro. Abri mão de algumas coisas, mas ao mesmo tempo o novo controle financeiro me permitiu, por exemplo, viajar outras duas vezes para São Paulo com minha mãe. Eu estava aprendendo a administrar minhas finanças. Vendi muitas coisas que deixaram de ter importância, como minha coleção de miniaturas e vários livros. Meu foco era outro.
Além disso, passei por outras transformações. Eu queria saúde para poder cuidar de meu filho, e passei a me preocupar mais comigo mesmo. Em um esforço de cerca de oito meses, eu me corrigi minha alimentação e eliminei 19 kg, tudo em nome dessa criança que estaria por vir. Aproveitei para me livrar de alguns hábitos ruins, como roer unhas, por exemplo. Mesmo tendo uma recaída às vezes (em especial por conta de stress), eliminei vários pequenos comportamentos ruins que eu trazia desde a infância.
Com o tempo, minha mãe passou a aceitar a situação como um todo, meu pai parecia feliz com o rumo que eu estava tomando (apesar de não ser muito a favor de adoção) e eu estava muito ansioso, tanto para montar minha casa quanto para, posteriormente, ter meu filho.
E eu sentia, como comentei com o Placídio (um grande amigo), que essa criança existia em algum lugar. Eu parecia sentir que alguém, destinado a ser meu filho, estava por aí, já nascida, só me esperando. Foi uma sensação muito forte, que se estendeu por meses.
Os meses foram passando, e por fim a reforma da casa começou. Confesso que foi um período conturbado. Problemas de comunicação com meu pai (que estava pagando quase toda a reforma), problemas financeiros (pois tive que investir mais do que esperava), uma leve melancolia pelos meus últimos dias com os pais, estresse com a compra dos móveis... Não foi um período fácil, mas foi um período de gratas surpresas.
Meus alunos fizeram um chá de cozinha para mim... minha mãe me acompanhou em boa parte das compras da casa... eu passei a me ver muito mais amadurecido do que antes...
Enfim, dia 16 de janeiro de 2015, o pintor entregou as chaves. A casa estava terminada. Usei o fim de semana para limpar tudo (com a ajuda da mãe e do Bruno) e iniciar a mudança. Na segunda, 19, os móveis que estavam nas lojas chegaram, e eu iniciei a arrumação. O Bruno ficou comigo quase a semana toda, me ajudando todos os dias. Por fim, eu havia me mudado.
Confesso que o início foi difícil. Não me sentia em casa, tinha saudades de meus pais, a casa era estranha... Mas fui entrando nos eixos, me acostumando, transformando-a em um lar.
Pois é, foi um ano incrível. O ano em que, verdadeiramente, o menino de 28 anos se tornou um Homem. Eu amadureci, me valorizei, acreditei em mim e me coloquei à prova.
E eu estava pronto. Pronto para ser pai.
Curiosamente, sempre achei um pouco impossível que eu conseguisse montar uma casa, mas assim que percebi que precisava disso para a adoção, passou a ser algo tão fácil que me surpeeendi.
Passei o ano juntando dinheiro. Abri mão de algumas coisas, mas ao mesmo tempo o novo controle financeiro me permitiu, por exemplo, viajar outras duas vezes para São Paulo com minha mãe. Eu estava aprendendo a administrar minhas finanças. Vendi muitas coisas que deixaram de ter importância, como minha coleção de miniaturas e vários livros. Meu foco era outro.
Além disso, passei por outras transformações. Eu queria saúde para poder cuidar de meu filho, e passei a me preocupar mais comigo mesmo. Em um esforço de cerca de oito meses, eu me corrigi minha alimentação e eliminei 19 kg, tudo em nome dessa criança que estaria por vir. Aproveitei para me livrar de alguns hábitos ruins, como roer unhas, por exemplo. Mesmo tendo uma recaída às vezes (em especial por conta de stress), eliminei vários pequenos comportamentos ruins que eu trazia desde a infância.
E eu sentia, como comentei com o Placídio (um grande amigo), que essa criança existia em algum lugar. Eu parecia sentir que alguém, destinado a ser meu filho, estava por aí, já nascida, só me esperando. Foi uma sensação muito forte, que se estendeu por meses.
Os meses foram passando, e por fim a reforma da casa começou. Confesso que foi um período conturbado. Problemas de comunicação com meu pai (que estava pagando quase toda a reforma), problemas financeiros (pois tive que investir mais do que esperava), uma leve melancolia pelos meus últimos dias com os pais, estresse com a compra dos móveis... Não foi um período fácil, mas foi um período de gratas surpresas.
Meus alunos fizeram um chá de cozinha para mim... minha mãe me acompanhou em boa parte das compras da casa... eu passei a me ver muito mais amadurecido do que antes...
Enfim, dia 16 de janeiro de 2015, o pintor entregou as chaves. A casa estava terminada. Usei o fim de semana para limpar tudo (com a ajuda da mãe e do Bruno) e iniciar a mudança. Na segunda, 19, os móveis que estavam nas lojas chegaram, e eu iniciei a arrumação. O Bruno ficou comigo quase a semana toda, me ajudando todos os dias. Por fim, eu havia me mudado.
Confesso que o início foi difícil. Não me sentia em casa, tinha saudades de meus pais, a casa era estranha... Mas fui entrando nos eixos, me acostumando, transformando-a em um lar.
Pois é, foi um ano incrível. O ano em que, verdadeiramente, o menino de 28 anos se tornou um Homem. Eu amadureci, me valorizei, acreditei em mim e me coloquei à prova.
E eu estava pronto. Pronto para ser pai.
Prólogo II - Fazendo o necessário
Após decidir que a adoção era o próximo passo em minha vida, eu ainda não sabia se poderia adotar mesmo morando na casa dos meus pais, por isso procurei minha prima, Bia, formada em Assistência Social.
Após uma conversa muito feliz regada a leite batido com Tang, ela me garantiu que, desde que eu provasse ser capaz de me sustentar e estar com meus pais por mera conveniência, havia sim a possibilidade de eu conseguir a adoção. Mas ela me questionou sobre como eu me sentia morando com meus pais: Um adulto ou ainda um filho?
Enquanto isso, em casa, eu tentava tornar o assunto pertinente com minha mãe, que ainda se esquivava. Até que, em uma de nossas conversas enquanto ela cozinhava e eu lavava a louça, ela soltou que talvez não estava preparada para ter uma criança em casa novamente. Dentre várias coisas, ficou claro que seria um problema trazer um neto para dentro de sua casa.
Isso me atingiu muito forte. Naquele mesmo dia, eu não dormi, andei pelas ruas da cidade pensando até quase 4 horas da manhã... E cheguei à conclusão que sim, se eu queria ser pai, eu precisava sair de casa. Mesmo porque eu não queria meus pais interferindo na educção do meu filho, coisa que sei que, principalmente meu pai, fariam.
Foi uma semana estranha, eu fiquei um pouco deprê com toda a situação e minha mãe não digeriu bem a ideia de sair de casa. Falei com meu pai que gostaria de, no final do ano, alugar a outra casa (onde cresci até os 15 anos). E, ao contrário do que eu pensava, ele topou de imediato. Então precisei sentar e refletir tudo o que precisava fazer. Seria um longo caminho a preparação para sair de casa.
Após uma conversa muito feliz regada a leite batido com Tang, ela me garantiu que, desde que eu provasse ser capaz de me sustentar e estar com meus pais por mera conveniência, havia sim a possibilidade de eu conseguir a adoção. Mas ela me questionou sobre como eu me sentia morando com meus pais: Um adulto ou ainda um filho?
Enquanto isso, em casa, eu tentava tornar o assunto pertinente com minha mãe, que ainda se esquivava. Até que, em uma de nossas conversas enquanto ela cozinhava e eu lavava a louça, ela soltou que talvez não estava preparada para ter uma criança em casa novamente. Dentre várias coisas, ficou claro que seria um problema trazer um neto para dentro de sua casa.
Isso me atingiu muito forte. Naquele mesmo dia, eu não dormi, andei pelas ruas da cidade pensando até quase 4 horas da manhã... E cheguei à conclusão que sim, se eu queria ser pai, eu precisava sair de casa. Mesmo porque eu não queria meus pais interferindo na educção do meu filho, coisa que sei que, principalmente meu pai, fariam.
Foi uma semana estranha, eu fiquei um pouco deprê com toda a situação e minha mãe não digeriu bem a ideia de sair de casa. Falei com meu pai que gostaria de, no final do ano, alugar a outra casa (onde cresci até os 15 anos). E, ao contrário do que eu pensava, ele topou de imediato. Então precisei sentar e refletir tudo o que precisava fazer. Seria um longo caminho a preparação para sair de casa.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Prólogo I - Como um raio
Eu estava em São Paulo, mais precisamente no Brás, viajando com minha mãe. Estava um pouco irritado pois tinha pressa de seguir para Paranapiacaba, e no fim estávamos nos enchendo de sacolas para carregar. Enquanto minha mãe entrava em uma loja, eu fiquei na calçada, encostado em um poste.
Tinha algo errado. Eu deveria estar feliz. Não tinha nada a esconder de ninguém, eu estava bem comigo mesmo, estava curtindo as férias. Mas algo, lá no fundo, me incomodava. Porque, exatamente, eu ainda não estava feliz?
Quando saí de vez do armário (é isso mesmo que você acabou de pensar), pensei que minhas crises de tristeza iriam acabar. Eu me aceitava, e as pessoas ao meu redor também. Eu havia tido alguns namoros (do tipo rápidos, não duravam nem um mês) e tudo deveria estar bem. Ma eu ainda tinha minhas crises de tristeza, ainda achava minha vida insuficiente.
Então ali, encostado naquele poste, naquela manhã quente de janeiro, eu tive uma espécie de insight. Como se alguém tivesse soprado aquilo em minha mente, o sentimento veio tão de repente, e foi tão revelador, que eu soube na hora o que deveria fazer.
É esse o momento. É hora de ter um filho.
Eu sempre quis ser pai. Muito mais do que qualquer outro sonho que eu tivesse, eu queria ter meu filho, ensiná-lo, vê-lo crescer. Eu tive parte disso com o Bruno e o Gabriel, mas agora eu queria alguém que fosse unicamente meu, eu queria ser pai completamente.
Sempre tive planos remotos de adotar um filho. Mas era aquele tipo de ideia que fica guardada na mente com a etiqueta "um dia...". E sim, naquele dia de janeiro, a vontade me desceu como raio, como se vozes invisíveis me dissessem que esse era o momento.
Enfim, aquilo colou em minha mente de tal forma que não falei de outra coisa durante o resto da viagem. Eu precisava tomar providências, tirar algumas dúvidas, afinal, seria possível que eu pudesse adotar sem sair da casa dos meus pais?
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